sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Eleições municipais em Santa Inês



Começaram as campanhas eleitorais, a televisão aberta reserva um espaço à manifestação dos partidos políticos, para que possam falar daquilo a que se propõem se forem eleitos. Nas ruas, os carros de som transitam pela cidade numa poluição sonora perturbante, sem qualquer controle de decibéis. Ao contrário, nesse embate, que tem mais poder fala mais alto. Candidatos pobres contribuem em menor escala para poluir o som das ruas.
Nessa parafernália sonora e planfetária fala-se de tudo, menos do essencial. Nenhum candidato ou candidata assume compromisso com a cidade, com o coletivo. A população não cobra compromissos essenciais com a segurança, com a educação, com a saúde, com o saneamento básico, com a transparência administrativa, com o combate à corrupção. Quais os compromissos sociais dos candidatos? Como eles pretendem deixar a cidade daqui a 4 anos? Que planos eles têm para mudar a realidade da insegurança reinante em Santa Inês? Que plano têm para o desenvolvimento da juventude? O que pensam em fazer em benefícios dos empreendedores? O que vão fazer para organizar a cidade, de modo especial, a Rua do Comércio, as ruas e avenidas esburacadas e sem sinalização? O que pretendem fazer para atrair investimentos geradores de emprego?
Vejo as pessoas levantarem cedo para caminhar e pedalar pelas ruas e avenidas da cidade, dividindo espaços com veículos automotores ou não. Já não é a hora de oferecer à população espaços específicos para caminhar, ou para pedalar? Temos lugares específicos que se urbanizados devidamente poderiam ser transformados em acolhedores parques de diversão, onde crianças e anciãos os utilizariam sem correrem riscos de atropelamento, ou de roubo.
Temos um guarda municipal necessária e numerosa, no entanto, o que se vê nas ruas são motocicletas transitando com condutores sem habilitação, sem respeito à precária sinalização, sem os equipamentos de proteção individual exigidos por lei, carregando excesso de passageiros sem os equipamentos e, consequentemente, a segurança devidos. A lei é para ser cumprida pelos cidadãos, assim faz-se no âmbito da sociedade civilizada, somente no estado de barbárie os indivíduos fazem a sua própria lei. Nós não podemos abrir mão desse pacto social à proporção que temos a Constituição Federal, a Constituição Estadual e a Lei Orgânica do Município. Assim, nenhum cidadão ou cidadã está acima das leis.
Aumenta a cada dia nas cidades brasileiras o número de mães e pais solteiros, trabalhadoras e trabalhadores que precisam ir à luta em busca do sustento das suas famílias. Essas pessoas carecem da ajuda dos municípios no apoio à educação dos seus filhos. Nesse sentido, creches e escolas de tempo integral são necessárias para acolher essas crianças, em consonância com o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Certo dia estava em casa, um amigo foi acometido de um surto de pressão e me chamou para levá-lo ao pronto socorro de Santa Inês, que até aquele dia eu desconhecia. O meu amigo reclamava do atendimento, com razão. Quando eu cheguei no dito hospital, observei que se tratava de um prédio em ruínas, onde a médica que ali estava, coitada, não tinha quaisquer condições de exercer o seu ofício. Confesso que naquele instante senti muito pelas condições do meu amigo, daquela médica e dos demais enfermos ali internados, cujas roupas de cama tiveram que levar das suas casas. Em síntese, parecia um campo de concentração.
Santa Inês é, provavelmente, a única cidade do Brasil, na qual de nada adianta o cidadão ou a cidadã ter um plano de saúde. Pois, nenhuma empresa de saúde atende planos ou seguros de saúde aqui. Um absurdo! Quem aqui tem plano de saúde, se quiser ser atendido tem que se deslocar até Teresina, no Estado do Piauí, ou até São Luís do Maranhão. Pessoas pobres, ou sem planos de saúde se dirigem aos hospitais de Coroatá e de Monção. É necessário que se ressalte que nenhuma empresa privada está isenta de compromisso com a sociedade, portanto, têm que cumprir a sua função social. O acolhimento de planos de saúde, creio, deve fazer parte da função social dos hospitais particulares, pois, estes se beneficiam de uma série de investimentos sociais realizados pelo governo municipal, estadual, ou federal. Agora, é necessário que os próximos administradores atentem para esse fato e cobrem essas empresas.
O turismo é a maior indústria do mundo hodierno. Todo país, todo estado, toda cidade que se preza se prepara para ganhar com essa indústria. Santa Inês tem um potencial turístico que precisa ser desenvolvido. Temos um criatório de gado bovino de significativo valor, todavia, não temos sequer um parque para exposições agropecuárias. Fazemos parte de uma região do Estado do Maranhão com uma das maiores produção de peixes criados em tanques, com elevado potencial para fazermos anualmente um festival de peixes, com concursos culinários e outras atividades que ajudem a desenvolver mais ainda a piscicultura municipal e regional. Ademais, temos recursos naturais com potencial turístico e a maior rede hoteleira da região.
Como cidade polo, Santa Inês tem o principal papel de articulação com os demais municípios da região, portanto, o seu desenvolvimento poderá propiciar um desenvolvimento em cadeia dos municípios vizinhos, pois o turismo, a coleta, deposição e reciclagem do lixo urbano, a organização do transporte urbano, provavelmente, necessitará do envolvimento de municípios fronteiriços.
É preciso que os candidatos que no momento se apresentam como capacitados à administração desta cidade se comprometam a elaborar um planejamento estratégico que contribua para mudar para melhor o estado em que se encontra Santa Inês. A cidade precisa de um campus da universidade federal com cursos como direito, enfermagem, ciências agrárias e outros requeridos pelo município. Os campi aqui instalados são insuficientes para a demanda existente.
Enfim, quero lembrar que Santa Inês é hoje a cidade mais promissora do estado do Maranhão, ou seja, aquela que tem maior potencial para crescer e se desenvolver, entretanto, precisa de administrações profissionais, competentes, transparentes, devidamente planejadas. Uma cidade com a complexidade administrativa de Santa Inês não pode se dar o luxo de ter secretariado fantoche, gente sem habilitação que nada faz e um prefeito que reina como soberano absoluto sem dar satisfação ao povo que lhe elege.

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terça-feira, 28 de junho de 2016

Joana Palitó:um século de história e lembranças


Ela nasceu Joana Batista Linhares e, ao contrário do que muitos pensam, ela não nasceu em Rosário, mas na Rua Afonso Pena, em São Luís, no dia 24 de junho de 1916.
Só depois o meu avô, Graco Baima de Linhares, foi morar na Rua 01, no bairro da Madre de Deus, onde, na verdade, Joana Batista Linhares vai ganhar o apelido que vai lhe acompanhar pelo resto da vida.
No início do século XX, a Madre de Deus era um bairro de pescadores e dona Joana Batista Linhares costumava ir para a rampa lavar as canoas dos pescadores, provavelmente, para ganhar um trocado, ou mesmo peixes. Naquele dia, ela não podia ser mais criativa e original. Vestiu o terno do meu avô, seu Graco, como ela o chamava, e foi lavar canoas na rampa da Madre de Deus. Meu avô era carpinteiro naval e trabalhava na empresa Loide Brasileiro, famosa pela frota de navios que possuía. Naquele exato dia ele teria uma reunião na Loide Brasileiro e costumava frequentar as reuniões da empresa sempre muito bem alinhado no seu terno.
Naquele dia, quando chegou em casa para se aprontar para a reunião, sentiu a falta do seu casaco e perguntou para a sua esposa pelo terno e ela apenas lhe disse que viu a Joana sair vestida em um terno rumo à rampa. Na época, o meu avô já estava casado com dona Delfina, a sua segunda esposa, a minha avó, Alcene Linhares, já havia morrido.
Meu avô foi à rampa em busca da minha mãe e quando lá chegou presenciou a cena que lhe deixou furioso. A rampa estava cheia de pescadores e a minha mãe passando de canoa a canoa lavando-as vestida no terno que ele mandou preparar para ir à reunião do Loide. Meu avô costumava chamar os seus filhos com os pronomes “seu” e “dona” lhes antecedendo os nomes. Assim era seu Joaquim (meu tio e padrinho, Careca), seu Inocêncio (tio Lousa), dona Maria (tia Maria Pemba), dona Edite (tia Edite), seu Raimundo (meu tio Cacaraí) e dona Joana, a minha mãe, a caçula do primeiro casamento.
Quando ele a viu naquela cena hilária, lavando canoas no seu melhor terno, anunciou de pronto para ela: - dona Joana, eu vou lhe bater. Minha mãe muito espirituosa, sabendo que o meu avô batia forte e, segundo ela, só costumava dar tapas com a costa da mão – respondeu-lhe prontamente que preferia morrer afogada que pegar uma surra ali naquele momento à frente de todos. Ela não sabia nadar. Meu avô, raivoso, avisou e foi logo subindo nas na canoas para lhe pegar, mas ela foi passando de canoa para canoa até não ter mais para onde ir e se jogou na água. Como todos ali sabiam que ela não sabia nadar e gostavam muito dela, os presentes na rampa caíram na água para salvá-la, gritando: agarra pelo palitó gente, agarra pelo palitó, agarra pelo palitó... e, assim, salvaram a minha mãe da morte, mas não da surra quando chegou em casa, e acrescentaram ao nome dela o nome Palitó, que daquele dia em diante passou a ser seu sobrenome. E, desde então ela passou a ser chamada Joana Palitó.
Disposta para o trabalho, Joana Palitó, logo se empregou na indústria têxtil que se desenvolveu em São Luís do Maranhão, nas primeiras décadas do século XX. Empregou-se na fábrica São Luís, que ficava ali mesmo na Madre de Deus, junto à Cânhamo, outra indústria têxtil da época, onde hoje é o Ceprama.
Ali, muito nova, Joana se acidentara, um fuso lhe atingiu o pé e ela foi para a Santa Casa de Misericórdia, na época um hospital dos mais famosos de São Luís. Os médicos diagnosticaram uma infecção muito grave. Na Madre de Deus já se sabia que Joana Palitó estava com tétano e, provavelmente, perderia o pé. O que ninguém esperava era, que, de repente, Joana aparecesse na Madre de Deus, seminua, vestida em um chambre do hospital, com um comportamento estranho, que ninguém entendeu, a princípio. O meu avô, partiu para ela com rigor, aconselhando-a para voltar para o hospital. Na verdade, exigindo que ela voltasse para o hospital, tamanha era a gravidade da enfermidade em que ela estava acometida. A resposta que o meu avô obteve, para ele, creio eu, foi, no mínimo, inusitada, estranha: - “me respeite seu Graco, eu estou numa mulher, mas eu sou um homem e o meu cavalo, eu mesmo curo”. Ali se iniciara uma nova fase que durou enquanto Joana Palitó vida teve: - sua fase espiritual. Pela primeira vez se manifestara em seu corpo a entidade Itomba-Sé, seu santo de cabeça dali em diante. Curou a ferida que havia no pé de Joana Palitó e, daquele momento em diante, a casa do meu avô não teve mais sossego. Todo mundo procurava Joana Palitó para benzer, curar dos males do físico e do espírito, e não raras vezes, da sorte da vida – do amor, da profissão, do emprego...
Aí foi demais para o meu avô, a casa ficou pequena para ele e seu Tomba-Sé, como eles chamavam. Minha mãe já estava empregada na fábrica São Luís e logo arranjou um outro lugar para residir, ali mesmo no bairro.
Joana Palitó adorava os chamados jogos de azar: baralho, bingo, quino, jogo do bicho e toda a espécie de jogos a dinheiro que ela pudesse jogar. Na Madre de Deus, era assídua frequentadora da mesa de baralho na casa de dona Laura, ali mesmo na Rua 01. Sobre isso costumava me contar um fato que aconteceu quando ela estava grávida da minha irmã Vilma, às vésperas do parto. Estava na mesa de baralho na casa da dona Laura, a mesa esta cheia de dinheiro das apostas, quando, de repente, avisaram da rua que estava chegando a cavalaria para reprimir o jogo. As pessoas trataram de se evadir e ela, sabida, foi a última a sair, vestia um vestido largo própria das mulheres grávidas, com um cinto na cintura, que ela amarrou bem apertado, colocou todo dinheiro dentro do vestido e saiu pulando cercas da vizinhança para se livrar da prisão. Se livrou, e, segundo ela costumava dizer sorrindo, o dinheiro deu para comprar leite para a minha irmã por mais de seis meses.
Um detalhe, estamos falando aqui da primeira metade dos anos 1950. As mesas de baralho, os quinos e outros jogos de azar que Joana Palitó frequentava, com excessão da casa de dona Laura, só uma mulher estava presente – ela.
Vocês podem imaginar como era difícil para o meu avô e os meus tios lidar com uma mulher assim tão independente. A espiritualidade, os jogos de azar, a vida independente. Fazia questão de ostentar que não nascera para depender de homem.
Queridos, tenho que ir trabalhar e, amanhã continuarei a contar a história dessa magnífica mulher que é a minha saudosa mãe. Reparem que, neste momento ela ainda não chegou à Rosário, onde viveu grande parte da sua vida e terra que escolhera para a sua morada final. Por isso, para comemorar um século que ela faria se estivesse junto a nós, eu resolvi escrever esta sinopse da sua vida para homenageá-la.

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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Ciclismo recreativo, uma atividade física fascinante



Quando morei em São Luís, na Avenida dos Holandeses, vi como é imensa a quantidade de pessoas que moram nos bairros pobres naquelas imediações e se deslocam todas as manhãs para o serviço pedalando suas bicicletas. Hoje, vejo movimento idêntico de pessoas do vizinho município do Pindaré Mirim se deslocando para trabalhar em Santa Inês montadas em bicicletas.
Apesar da relevante quantidade de bicicletas no Brasil, e do intenso uso principalmente pelas pessoas de baixa renda, ainda não atingimos no ciclismo a relevância que conseguimos em esportes como o  futebol, vôlei, basquete, ou mesmo no atletismo. Contudo, isso não faz do uso da bicicleta algo menor, pelo contrário, pedalar, cada dia que passa, se torna algo mais fascinante. Talvez seja por isso, que as pessoas que vão para o trabalho pedalando, quase sempre exibem um semblante de felicidade.
Em seu livro “Ciclismo”, Luiz Henrique Rodrigues fala que “Tanto nos eventos grandiosos, como o Race Across América ou o Tour de France, como nos passeios com grupos de amigos, andar de bicicleta é uma atividade que traz consigo toda uma magia, um encantamento que vai adquirindo proporções cada vez maiores à medida que o contato com a bicicleta vai se estreitando”.
O referido autor sabe o que está dizendo e, por certo, já foi acometido desses sentimentos, da magia, do encantamento que é pedalar uma bicicleta. Creio que atualmente estou também hipnotizado pela bicicleta, pelo gosto de pedalar, andar longas distâncias, testar os meus limites, superá-los às vezes, sentir-me, a cada conquista, instado a um novo desafio. Querer poder mais sobre uma bicicleta, querer aprender mais sobre bicicletas, sobre o ciclismo, embora o faça no âmbito da recreação.
Pela primeira vez na vida sinto-me movido pela vontade de ter uma bicicleta. Nunca tive uma bicicleta, na verdade, nunca comprei uma bicicleta para o meu uso. Sempre foi para um filho ou um sobrinho, uma pessoa da família. Até que uma ficou em casa, em desuso e eu resolvi usá-la. Depois de ler um pouco sobre ciclismo fiz-lhe umas adaptações, troquei algumas peças, porém, acho que as adaptações feitas não foram suficientes para superar todas as limitações, embora isso não diminua o meu fascínio pela bicicleta que eu tenho e a denominei de Magricela. Embora o plano de aquisição de uma bicicleta nova seja de médio a longo prazo, já tenho o nome da próxima – será Magrelinha, uma homenagem a música de Luiz Melodia, cantor e compositor do qual sou fã.
 Viajando na ideia de adquirir uma bicicleta nova, iniciei uma caminhada de conhecimento sobre bicicletas: tipo, marcas, tamanhos, preços, materiais, são aspectos sempre presentes nas minhas buscas. Quero compreender mais, ter mais informação sobre bicicletas, não pode ser qualquer uma para dividir o espaço com a Magricela, porque esta é um espetacular exemplo de que a prática de ciclismo recreativo não prescinde de bicicletas de passeio, simples, despretensiosa. Que para pedalar e ser feliz você não precisa comprar a speed ou a montain bike mais moderna e cara, embora não se possa esconder o fascínio que as modernas bicicletas exercem sobre os ciclistas, com seus freios a disco, mecânicos ou hidraúlicos, marchas, seus componentes de fabricação japonesa, com níveis de sofisticação impressionantes, nos deixam com os olhos de crianças em lojas de brinquedos.
A bicicleta nos provoca dois tipos de fascínios – o de pedalar e a admiração pelos novos modelos, com materiais mais leves e resistentes, novos desenhos apropriados às atividades estrada, trilha, velódromo, BMX, são exemplos.

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segunda-feira, 13 de junho de 2016

Mais uma derrota da diretoria do Sampaio


É provável que os torcedores mais antigos do Sampaio Corrêa Futebol Clube lembrem do saudoso dirigente Antônio Bento. Cartola de históricas tiradas, costumava despedir um time todo e contratar um novo elenco. Claro que não dava certo embora fizesse a festa da imprensa que tinha muito assunto para publicar.
Tempos passados. Hoje o saudoso cartola cairia apenas no fosso do ridicularismo, como faz a atual direção do Sampaio.
Hoje nenhum clube de futebol logra êxito nas competições em que participa se não tiver alicerçado num planejamento estratégico que vise um longo horizonte temporal.
Nos tempos atuais o conceito de equipe tem sido muito estudado, tem sido muito discutido por empresas que estão sempre muito dispostas a pagar interessante preço por palestras de exitosos técnicos e/ou atletas, para que esses motivem seus empregados, falando da importância do desempenho de indivíduos dentro de equipes.
Equipes têm que ter conjunto, entrosamento, conhecimento, confiança, ousadia, criatividade, compromisso, objetivo, meta. Isso não se consegue juntando um bando de desconhecidos e lhes vestindo uma farda de uma empresa ou uma equipagem de um clube de futebol. Se não houver capacitação, treinamento, o exercício da função ficará comprometido, ineficaz, sem eficiência.
Hoje um comentarista disse algo que expressa muito bem a situação atual do Sampaio Corrêa Futebol Clube. Ele disse :"É muito difícil armar um time de futebol durante um campeonato em que os clubes quase não têm tempo de treinar".
O CRB não é lá muita coisa, tanto assim que mesmo com um jogador a mais se viu muitas vezes encurralado pelo Sampaio, mas falta-nos o amálgama que faz de onze jogadores de futebol um time. Como torcedor, vou continuar torcendo e pagando na esperança que o Tubarão volte devorar as sardinhas, ao invés de ser triturado por elas.

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Sampaio Corrêa Futebol Clube, um time sem planejamento ou muito mal planejado?


Sou torcedor, tenho paixão pelo clube, mas não sou bobo. Sei que no cenário atual qualquer clube esportivo ou qualquer outra organização que pretenda obter progresso na sua atividade, diante dos seus concorrentes precisa se planejar. No mundo atual não tem lugar para quem não se planeja. É preciso sair à frente da concorrência para obter sucesso e sucesso só vem antes do trabalho no dicionário.
Como torcedor esperei que ontem o time tivesse uma atuação melhor diante do Ceará, e teve. Disse antes do jogo para um compadre meu, boliviano também, que se conseguíssemos um empate com o Ceará já seria de bom tamanho.
O time esteve taticamente mais organizado em campo, com uma postura melhor do que nos jogos anteriores, mas ainda precisa corrigir muita coisa. É um time em formação, buscando entrosamento. Edgar e Pimentinha se destacaram individualmente, contudo, o time ainda não tem uma marca, uma identidade em campo. Daí a insegurança dos jogadores.
Não podemos debitar essas derrotas na conta dos jogadores. Eles, no momento, constituem apenas a consequência da falta de planejamento da diretoria. Quem não sabe onde quer chegar não vai a lugar nenhum. Creio que ou Sampaio Corrêa Futebol Clube não se planejou para chegar à série A do campeonato brasileiro, ou se planejou muito bem para voltar à série C.
Um clube que deseje superar seus adversários e chegar à elite do futebol brasileiro não pode formar uma equipe no decorrer do campeonato.
A questão é simples, não se conserta o motor do carro com o veículo em movimento.

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segunda-feira, 18 de abril de 2016

A revolução dos banqueiros, Fiesp e Cia Ltda.



O circo está armado. A Rede Globo apresenta: “Respeitável público, agora atingimos o mais alto grau da crise”. O Juiz Sérgio Moro age como um ferrenho militante do PSDB, grampeando os telefones da presidente Dilma, do ministro Lula e vai além – publica de imediato o diálogo do ministro com a presidente. Tudo armado. Inocentes úteis que nem sabem que estão a serviço dos banqueiros, Fiesp e Cia. Ltda., vão para a frente do Palácio do Planalto e dizem palavras de ordem que aos nossos ouvidos soam como: “Tira Dilma, Bota Aécio”. “Prende Lula, pois, assim acaba a ladroagem do país. Lula é o maior ladrão da história desse país”. “Nunca houve roubo aqui antes de Lula e Dilma”.
A elite que sempre mandou no país e agora vê-se fora do poder, embora nada tenha perdido durante a “Era Lula”, não aguenta mais ficar fora do poder e o quer a qualquer custo. Seus lucros cresceram, seus patrimônios aumentaram, mas, agora isto não lhes basta mais. Age com o mesmo cego ódio que motivara o Carlos Lacerda durante os governos de Vargas e de Juscelino. Agride, insulta, desacredita o governo diante da opinião pública de forma mecânica, motivada pela ira que lhe provoca um governo que disponibiliza dinheiro para pobres, que proíbe relações escravistas no campo, que zela por relações de trabalho que respeitem as leis.
Finge que é contra a corrupção, esta praga que massacra o país desde que aqui atracou a primeira caravela. Nada disso, tudo não passa de misancene. Na verdade, têm um único alvo – uma parte do governo que eles chamam de “o governo do PT”. Aliás, esta expressão, “governo do PT”, foi forjada com o fito de salvar a própria pele. Como dizia a rapaziada lá da Praça da Saudade (em São Luís) “cachorro não come cachorro”. A elite descontente jamais dilacerará a própria carne. Por isso criou a expressão “governo do PT”. Dessa forma canaliza o foco de todo problema do governo apenas para a parte governista que é diretamente identificada com o Partido dos Trabalhadores. Protege a outra parte porque com essa pretende se articular na formação de um novo governo – o governo dos banqueiros, cujos ministros serão representantes das instituições financeiras, como Joaquim Levi e outras pessoas de semelhante perfil. Todos perfeitamente alinhados com o pen$amento do “mercado”.
Essas pessoas se vestem de verde e amarelo e vão para as ruas gritar “Fora Dilma”, “Cadeia para o Lula” e, logo depois, sentam nos mais finos restaurantes de São Paulo e vão refrescar a garganta com champagne e caviar. Fazem o tipo cantado pelo saudoso Billy Blanco, “Não fala com pobre, não dá mão a preto, nem carrega embrulho”. Para esses brasileiros o país nada vale se eles não estiverem mandando, dando as cartas. Não querem que o baralho seja embaralhado pelo povo, porque, quando este embaralha, eles não pegam o Coringa. Para eles, de nada vale o estado de direito, querem apenas restabelecer o estado da direita.  Essa elite não se comove com a seca do nordeste, ou a enchente do sul. Para ela, a única coisa que importa são os desejos, as reações do mercado.  
Não possui liderança capaz de distribuir seu carisma por entre as massas. Por isso, deseja a morte política do Lula. Assim extermina a referência política das camadas populares, deixando-lhes o sentimento de orfandade e a incapacidade de rejeitar quaisquer dos seus escolhidos. O lado bom de todo esse conflito é que enquanto a direita canaliza toda a sua força para expor o governo Dilma ao ridículo, ela se expõe com todo o seu radicalismo. E, por favor, não venham me falar de ação imparcial do juiz Sérgio Moro. Toda a sua ação é milimetricamente sincronizada com as ações da direita oposicionista, ou melhor, da direita golpista. Tudo que se vê é uma quase repetição da história e, ninguém pode dizer que não sabia. Prestem atenção, lacerdistas de plantão, quando vocês acordarem talvez já seja tarde para recorrerem ao perdão dos Juscelinos, pois eles não estarão mais aqui, ou pode lhes faltar forças para o perdão, a resignação, diante de tanta maldade por vós praticada.

domingo, 3 de abril de 2016

Salve os 94 anos de tia Santinha!



Se na minha infância alguém chegasse a Rosário perguntando por dona Maria Patrícia Pereira, provavelmente, ia perambular muito pela cidade até que chegasse à Rua de Baixo e alguém de estalo, dissesse, Huuum! É Santinha de Careca, ou é Santinha empregada de Kleper Aquino, ou, ainda, é Santinha que mora na Rua da Fonte do Mato!
Assim era a Rosário da minha infância. Uma cidade em que as pessoas, com raríssimas exceções, eram conhecidas pelos chamados nomes de casa, ou apelido. Eu por exemplo, só fui ser Luiz Fernando, praticamente, a partir de São Luís, em Rosário, eu era o Prego, ou Prego de Joana Palitó. A casa de Santinha era um exemplo disso: - Carlos Diniz Pereira, pelos de casa era chamado de Dical, enquanto os da rua lhe chamavam de Bode; Sebastião Teles de Linhares, era conhecido como Barrulhão. Bode e Barrulhão são filhos da Santinha, primos saudosos com os quais convivi durante toda a minha infância, agora já estão em outro plano.
Não me contentei em apenas felicitar a Santinha pela passagem dos seus 94 anos, quis escrever mais sobre ela porque pessoas como Santinha quando contam a sua História arrolam em sua linha do tempo a história de uma época e de muitas outras pessoas. Santinha, a minha mãe, Joana Palitó (Joana Batista Linhares), dona Filoca, dona Manoca, dona Filomena, que era vizinha e prima dela (mãe do Mascau, Ubirajara, Zé Maria e Maria José) eram de uma geração que sabia, mais do que tudo, que só no dicionário o sucesso vem antes do trabalho suado e intenso, aditado à educação. Como essa geração de mulheres trabalhadoras não teve a oportunidade do estudo, trabalhava desesperadamente pelo seu sustento e para que as futuras gerações (filhos e netos) pudessem estudar.
Santinha dedicou a sua vida inteira ao trabalho, como disse, na minha infância eu vivia entre o quintal da sua casa e o campo do Esporte Clube Comercial, time pelo qual eu torcia. Não me lembro de ter visto uma só vez dona Maria Patrícia Pereira em algum tipo de diversão. As minhas lembranças de Santinha passam muito pelo fato de vê-la passando pelas calçadas altas do Grupo Escolar Joaquim Santos indo ou voltando do trabalho. Adorava ir aos sábados, domingos e feriados na sua casa quando ela lá estava, pois ela é dona de um paladar que grandes chiefs de cozinha de hoje invejariam.
Mulher de um coração bondoso, caridoso, capaz de dividir o pouco que tem com parentes, amigos, vizinhos. A geração de Santinha também tem a sublime marca do parentesco por consideração, por essa e outras, que quando falamos dela, contamos também um pouco da vida de outras pessoas e da nossa própria história. Afinal são noventa e quatro anos de vida.
Quero aqui, de modo singelo, para além de felicitar, agradecer Santinha, uma vez que ela também contribuiu para a minha educação, como a minha mãe também deve ter contribuído para a educação de alguns dos seus filhos. Era costume naquela época os parentes se importarem com a vida da gente de forma proativa. Se um parente, um tio, uma pessoa mais velha via uma criança na rua, logo perguntava: - seus pais sabem que você está aqui? Se a criança estava indevidamente em determinado lugar, nem respondia, botava o rabo entre as pernas e debandava. Se viam crianças brigando, não só apartavam, como ralhavam para que soubessem que aquilo não era certo. Dessa forma, contribuíam para a nossa educação, pois só as nossas mães não davam conta, porque tinham uma jornada de trabalho longa, cansativa, passavam a maior parte do dia trabalhando. Sou filho de mãe solteira e pude experimentar isso durante toda a minha infância. Sei como essas intervenções na vida da gente eram necessárias. A mim ensinaram a nutrir o respeito pelos mais velhos, a enxergar que as coisas não se resolvem só pela força, pela briga, pelo conflito, a importância das palavras mágicas: - bom dia, boa tarde, boa noite, muito obrigado, com licença... Santinha, foi com a sua geração que eu aprendi que ser educado e pacífico, não significa ser submisso e passivo; que pedir licença ao outro não significa colocar na sua mão o nosso direito de ir e vir. Por isso, as pessoas oriundas da nossa classe, nesse Brasil marcado pela escravatura, têm que saber pedir licença com delicadeza e, simultaneamente, usar o cotovelo para abrir o caminho.
Enfim, Santinha, sei do quanto muitas vezes você usou da sua bravura para deixar claro aos seus interlocutores que você estava ali e que não seria boa opção tentar passar por cima de você. Isso se chamava de valentia, mas em você essa qualidade só era acionada na hora certa.
Essas lições ficaram comigo para a vida inteira e às vezes sinto-me replicando as suas atitudes, as atitudes de Joana Palitó, ou de outras trabalhadoras da sua época, quando me vejo diante de algum interlocutor obrigado a lhe avisar que: “estou vestido de lã, mas não sou carneiro”. Você sabe muito bem em que ocasião tem que acionar estes artifícios de defesa.
Minha querida Santinha, tenho certeza que esses 94 anos de idade fazem parte do patrimônio que o Altíssimo a ti destina como recompensa pela vida de trabalho e dignidade pela qual optaste desde sempre. Tomara que algum dos meus primos, seus filhos, leiam essa pequena homenagem que fiz para você. Se isto acontecer, peço-lhe que feche os olhos e sinta o meu carinhoso abraço.

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