Nas nossas vidas há presenças que chegam assim por encanto e outras que nem percebemos, mas, quando nos damos conta já fazem parte do nosso convívio.
Acredito que ainda distante, percebia a tua presença como uma pessoa ligada à Rosângela, naquela época supervisora, depois alçada à gerência da agência do Banco da Amazônia em Tocantinópolis, que no convívio diário preferíamos chamá-la Rosinha ou Rosa. Para mim, você era empregada na casa da Rosa, só depois eu fui perceber que para além disso, você era na verdade tia do marido da Rosa, o Jessiano.
Com a Rosa na gerência da agência você foi contratada como uma espécie de zeladora. Desde esse tempo passamos a conhecê-la melhor: nas festas no Basa Clube, quando cantávamos no Caraoquê, ou no bate papo ali mesmo enquanto tomávamos uma gelada, que aliás, você gostava muito.
Tinha uma mão abençoada para cozinhar, bastava-lhe o mínimo de condimentos para que você fizesse uma comida maravilhosa. Foi bem aí, que nos aproximamos mais. Com a avalanche de trabalhos que tínhamos na época, trabalhávamos muitas vezes sem pensar sequer no horário, pensávamos apenas no cumprimento do dever. Entrávamos às oito da manhã saíamos às oito da noite e, não raras vezes, saíamos de madrugada.
Nessa época começamos a recorrer a você para fazer, uma vez ou outra, o nosso almoço na cozinha da agência. Fazíamos cota, comprávamos peixe, carne, ou frango e entregávamos para você. Não precisava falar a hora de comer, sentíamos o cheiro da comida saborosa que você fazia e logo mandávamos o recado: “fulano diga a Lila que feche a porta da cozinha que a comida está cheirando lá na rua e a agência está cheia de clientes”.
Às vezes comprava peixe e pedia a você que cozinhasse pra gente. Era uma festa na cozinha, no interregno das doze às quatorze horas. E você Lila, com seu paladar maravilhoso, patrocinava aquele nossos momentos de alegria, quando do aperreio nosso de cada dia para cumprir as metas do Banco, mesmo num momento quando essas não nos eram impostas.
Daí então, passei a chamá-la Lilás, aquela presença de mais de quarenta anos de vivência, com a simplicidade dos sábios, a ingenuidade de uma criança, uma vertente etílica irreparável, de modo que eu, às vezes pensava que alguma coisa lhe afligia tanto a alma para que você se submetesse seguidamente às limpezas etílicas da alma como forma de aplacar as dores espirituais.
Foi o mesmo álcool que lhe servia de lenitivo, que lhe afastou do trabalho que tanto nos uniu. Seguidas chegadas com atraso ou faltas ao trabalho comprometeram a sua estabilidade no emprego, não bastasse a falta da Rosa transferida para Araguatins, lhe faltara também o emprego, apesar das nossas intervenções inócuas.
Mas, agora nada disso lhe fará falta, porque Lila, ou Lilás, como eu preferia, já não pertence mais ao nosso mundo, se eternizará na memória daquelas pessoas que desfrutaram da sua amizade. Já perdoou a todos lhe feriram e já não guarda qualquer resquício de mágoa no peito, porque anjos não magoam e não guardam rancores. Já fez sua passagem, e tudo que viveu aqui, alegrias, tristezas, saudades, melancolias, ou quaisquer outros sentimentos faziam parte de um rito que lhe determinara o Senhor do Universo – o seu rito de passagem.
Vai Lilás, aqui já completaste o teu rito de passagem, deixando em nossos peitos o vazio irreparável da amizade simples, aos familiares a lacuna perpétua do amor que dedicaste aos pais, filhos, irmãos, sobrinhos e netos.
E a mim, que às quatro e quarenta da manhã não consigo dormir, lembrando do convívio, das tuas confidências, do modo como você me chamava de “Seu Luís”, resta-me verbalizar as minhas lágrimas com as tuas lembranças. Adeus Lilás.
domingo, 14 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
O mercado está aberto

Chegou a temporada de trocas intensivas, o mercado está aberto. Está aberto o mercado eleitoral.
Com a desideologização da política brasileira, esta se personalizou. O candidato nem se importa em exibir a bandeira partidária sob a qual registra a sua candidatura. Na prática, os partidos enquanto organizações ideologicamente construídas acabaram. Os partidos políticos são, agora, abrigos de candidatos personalistas. Sabe-se que determinada pessoa está candidata, mas, não se sabe por qual partido. Cartazes, planfetos e propagandas de toda natureza exibem fotografias, número e frases de cunho identitário personalista. O partido pode ser identificado pelo número do candidato, mas, a sigla estará quase sempre escrita em letras de pouca visibilidade, podendo ainda ser estilizada por cores e formas diversas.
Ora, como já não elege mais princípios ideológicos que balizem procedimentos no exercício do direito político, como já não existe uma causa transformadora que cimente a conjunção das idéias para alcançar o estado idealizado, o candidato, agora, se sobrepõe ao partido, a militância política voluntária cede lugar à mobilização mercantilizada. Não há mais a figura do militante que saía às ruas levando a bandeira do seu partido, mobilizando eleitores para votar no seu candidato, por acreditar que aquele candidato, sob a bandeira do partido, estaria apto a defender princípios e executar um projeto político engendrado com a participação da militância. Faz falta a militância que parecia a sombra do povo, porque estava em toda parte: na feira, na praça, nos retornos, no semáforo, na praia, no campo de futebol, nos bares, em todo lugar. Essa militância que fazia tudo pela causa se recolheu, cedendo espaço para a militância que faz tudo por dinheiro, a militância mercantilizada, que é pontual, sazonal ou diarista. Uma diária para entregar planfetos, duas diárias para cuidar de grandes cartazes, ou uma empreitada para fazer de tudo um pouco durante tempo determinado. O contrato pode incluir ou não os trabalhos de boca de urna.
Não há mais quem queira fazer esses serviços gratuitamente porque não há mais a dita causa, não há mais o político comprometido com um programa, um plano, um fazer político democraticamente construído. Os candidatos não representam mais a comunidade em que moram, a classe social a que pertencem, nem a categoria profissional da qual fazem parte. São candidatos de si próprios. Não têm compromisso com nada, nem com ninguém, pensam apenas em se locupletar da posição política, enriquecer é a meta. O objetivo seu é enriquecer de qualquer maneira. Nesse mister, a falta de escrúpulo é ingrediente imprescindível para o sucesso. E assim, eles se jogam no mercado de troca de votos.
Quando se fala em compra e venda de votos é comum pensar que esta é uma prática dos políticos junto às camadas sociais desfavorecidas, os descamisados, descuecados, ou des-qualquer-coisa, como costuma a elite (des) classificar este segmento social. É certo que nesta camada há uma troca eleitoral desvantajosa. Nesse nicho do mercado eleitoral os políticos costumam trocar votos por dinheiro, ou por uma série de bens e serviços de primeira necessidade, ou de consumo imediato. Mas, este é apenas o segmento varejista do mercado eleitoral, provavelmente, o maior de todos os segmentos do comércio eleitoral, mas, não é o que movimenta mais recursos.
O mercado eleitoral é fortalecido pelo personalismo político que substituiu o ente ideológico-coletivo pelo marketing individual, passando, com isso a vender o futuro mandato no varejo e no atacado.
Como o mandato não pertence mais ao partido, que, aliás, agora passou a ser um bem de consumo, que ele, o político, troca por qualquer causa de interesse pessoal; por isso ele agora vincula o futuro mandato a um interesse empresarial, podendo ser da indústria, do comércio, ou da agricultura e pecuária, ou outro qualquer segmento da economia. Esta é a face do mercado eleitoral atacadista, que se caracteriza como um mercado do futuro e, ainda, como um segmento próprio das camadas sociais economicamente mais favorecidas. Aí ele troca recursos de campanha eleitoral por futuros cargos de confiança, prestação de serviços, obras superfaturadas, vendas e outros interesses próprios da classe alta, ou do segmento empresarial para o qual o político vendeu o seu mandato.Não se pode negar que este é um mercado de muita agitação, chegando mesmo a superar em agitação o pregão da tradicional bolsa de valores. Quando no clímax das negociações a variedade de produtos comercializados no mercado eleitoral é quase inigualável, pena que nele não se encontra um único produto de significativa necessidade e inimaginável raridade nos tempos atuais – a vergonha.
Com a desideologização da política brasileira, esta se personalizou. O candidato nem se importa em exibir a bandeira partidária sob a qual registra a sua candidatura. Na prática, os partidos enquanto organizações ideologicamente construídas acabaram. Os partidos políticos são, agora, abrigos de candidatos personalistas. Sabe-se que determinada pessoa está candidata, mas, não se sabe por qual partido. Cartazes, planfetos e propagandas de toda natureza exibem fotografias, número e frases de cunho identitário personalista. O partido pode ser identificado pelo número do candidato, mas, a sigla estará quase sempre escrita em letras de pouca visibilidade, podendo ainda ser estilizada por cores e formas diversas.
Ora, como já não elege mais princípios ideológicos que balizem procedimentos no exercício do direito político, como já não existe uma causa transformadora que cimente a conjunção das idéias para alcançar o estado idealizado, o candidato, agora, se sobrepõe ao partido, a militância política voluntária cede lugar à mobilização mercantilizada. Não há mais a figura do militante que saía às ruas levando a bandeira do seu partido, mobilizando eleitores para votar no seu candidato, por acreditar que aquele candidato, sob a bandeira do partido, estaria apto a defender princípios e executar um projeto político engendrado com a participação da militância. Faz falta a militância que parecia a sombra do povo, porque estava em toda parte: na feira, na praça, nos retornos, no semáforo, na praia, no campo de futebol, nos bares, em todo lugar. Essa militância que fazia tudo pela causa se recolheu, cedendo espaço para a militância que faz tudo por dinheiro, a militância mercantilizada, que é pontual, sazonal ou diarista. Uma diária para entregar planfetos, duas diárias para cuidar de grandes cartazes, ou uma empreitada para fazer de tudo um pouco durante tempo determinado. O contrato pode incluir ou não os trabalhos de boca de urna.
Não há mais quem queira fazer esses serviços gratuitamente porque não há mais a dita causa, não há mais o político comprometido com um programa, um plano, um fazer político democraticamente construído. Os candidatos não representam mais a comunidade em que moram, a classe social a que pertencem, nem a categoria profissional da qual fazem parte. São candidatos de si próprios. Não têm compromisso com nada, nem com ninguém, pensam apenas em se locupletar da posição política, enriquecer é a meta. O objetivo seu é enriquecer de qualquer maneira. Nesse mister, a falta de escrúpulo é ingrediente imprescindível para o sucesso. E assim, eles se jogam no mercado de troca de votos.
Quando se fala em compra e venda de votos é comum pensar que esta é uma prática dos políticos junto às camadas sociais desfavorecidas, os descamisados, descuecados, ou des-qualquer-coisa, como costuma a elite (des) classificar este segmento social. É certo que nesta camada há uma troca eleitoral desvantajosa. Nesse nicho do mercado eleitoral os políticos costumam trocar votos por dinheiro, ou por uma série de bens e serviços de primeira necessidade, ou de consumo imediato. Mas, este é apenas o segmento varejista do mercado eleitoral, provavelmente, o maior de todos os segmentos do comércio eleitoral, mas, não é o que movimenta mais recursos.
O mercado eleitoral é fortalecido pelo personalismo político que substituiu o ente ideológico-coletivo pelo marketing individual, passando, com isso a vender o futuro mandato no varejo e no atacado.
Como o mandato não pertence mais ao partido, que, aliás, agora passou a ser um bem de consumo, que ele, o político, troca por qualquer causa de interesse pessoal; por isso ele agora vincula o futuro mandato a um interesse empresarial, podendo ser da indústria, do comércio, ou da agricultura e pecuária, ou outro qualquer segmento da economia. Esta é a face do mercado eleitoral atacadista, que se caracteriza como um mercado do futuro e, ainda, como um segmento próprio das camadas sociais economicamente mais favorecidas. Aí ele troca recursos de campanha eleitoral por futuros cargos de confiança, prestação de serviços, obras superfaturadas, vendas e outros interesses próprios da classe alta, ou do segmento empresarial para o qual o político vendeu o seu mandato.Não se pode negar que este é um mercado de muita agitação, chegando mesmo a superar em agitação o pregão da tradicional bolsa de valores. Quando no clímax das negociações a variedade de produtos comercializados no mercado eleitoral é quase inigualável, pena que nele não se encontra um único produto de significativa necessidade e inimaginável raridade nos tempos atuais – a vergonha.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Uma dívida ao babaçu
Lembro-me dos professores falando sorridentes e sarcásticos de um certo “muito bem feitinho” projeto elaborado para desenvolver o plantio e a industrialização do coco babaçu, no Maranhão, nos anos 1960 e 1970. “Eles sequer sabiam com quantos anos a palmeira frutificava e quando souberam ficaram atônitos”, falavam assim os meus professores daqueles projetistas (malucos?) que teimavam no adestramento da palmeira, querendo tirá-la do status de planta nativa, para o de planta cultivada - cultura do babaçu.
Há pouco tempo eu andava numa área em que o proprietário mostrava-me, tal qual os meus professores de outrora, palmeiras de babaçu, dizendo: “veja como elas estão alinhadas, ainda dá para perceber o alinhamento e o espaçamento de muitas que aí foram plantadas pela indústria tal”. Senti no meu guia mais que o simples sarcasmo ao desconhecimento, externado pelos meus ex-professores. Nele o comentário saía eivado de ira. A empresa a que ele se referia, lutara, no passado, numa inglória disputa de terras, tentando o domínio de uma imensa área de terras que ela pretendia para o cultivo do babaçu, que hoje abrangeria dois ou três municípios do Estado do Tocantins.
Hoje eu percebo que tanto na postura dos meus ex-professores, como na postura do proprietário desafeto da indústria de coco babaçu, há um desprezo pela pesquisa científica que se destinaria a dominar e interferir no ciclo de desenvolvimento da palmeira nativa. Essa idéia era muito forte há décadas atrás, embora num dos vértices da cadeia produtiva do babaçu sejam notáveis as investidas da indústria na tentativa da criação de máquinas que aperfeiçoem, na linha de produção, a extração da amêndoa.
Seria em vão pesquisa nesse sentido? Será que se tivéssemos insistido em pesquisas para agregar melhorias à planta, nesses 30, 40 anos, já não teríamos logrado êxito em algum aspecto? Ainda que, de alguma forma, a industrialização do babaçu seja exitosa, no tocante ao processo de desenvolvimento da planta não podemos dizer o mesmo. Pior, neste sentido, ainda devemos muita pesquisa ao babaçu.
Se pesquisas tivessem sendo executadas nesse sentido, nesse interregno em que falamos e levantamos tantas questões sobre esta tão significante palmeira, possivelmente, muito conhecimento novo seria criado, creio, em aspectos como, processo de germinação da semente, desenvolvimento de plantas de menor porte, aceleração do processo de frutificação, ou produção comercial de frutos, entre outros aspectos.
Todo esforço da pesquisa científica nesse sentido deve ser, no mínimo, respeitável. O que não pode é manter-se uma postura romântica de adoração à palmeira, sem, contudo, desenvolvermos pesquisa que vise melhoramento da planta. Esta é uma postura que podemos abominar porque já a adotamos, no Estado do Maranhão, em relação ao arroz e ao algodão, e o resultado dispensa comentário. No âmbito nacional, a seringueira também foi vítima do imobilismo científico-governamental. Não logrou a mesma sorte o jaborandi, porque foi objeto da adoção transnacional – o que se deve evitar para os demais frutos desta terra. No caso do babaçu, tanto a iniciativa privada, quanto os órgãos oficiais, apesar dos ganhos aferidos pela palmeira, ainda estão devendo muito investimento em pesquisa para esta fonte de renda e de vida – a palmeira do babaçu.
Há pouco tempo eu andava numa área em que o proprietário mostrava-me, tal qual os meus professores de outrora, palmeiras de babaçu, dizendo: “veja como elas estão alinhadas, ainda dá para perceber o alinhamento e o espaçamento de muitas que aí foram plantadas pela indústria tal”. Senti no meu guia mais que o simples sarcasmo ao desconhecimento, externado pelos meus ex-professores. Nele o comentário saía eivado de ira. A empresa a que ele se referia, lutara, no passado, numa inglória disputa de terras, tentando o domínio de uma imensa área de terras que ela pretendia para o cultivo do babaçu, que hoje abrangeria dois ou três municípios do Estado do Tocantins.
Hoje eu percebo que tanto na postura dos meus ex-professores, como na postura do proprietário desafeto da indústria de coco babaçu, há um desprezo pela pesquisa científica que se destinaria a dominar e interferir no ciclo de desenvolvimento da palmeira nativa. Essa idéia era muito forte há décadas atrás, embora num dos vértices da cadeia produtiva do babaçu sejam notáveis as investidas da indústria na tentativa da criação de máquinas que aperfeiçoem, na linha de produção, a extração da amêndoa.
Seria em vão pesquisa nesse sentido? Será que se tivéssemos insistido em pesquisas para agregar melhorias à planta, nesses 30, 40 anos, já não teríamos logrado êxito em algum aspecto? Ainda que, de alguma forma, a industrialização do babaçu seja exitosa, no tocante ao processo de desenvolvimento da planta não podemos dizer o mesmo. Pior, neste sentido, ainda devemos muita pesquisa ao babaçu.
Se pesquisas tivessem sendo executadas nesse sentido, nesse interregno em que falamos e levantamos tantas questões sobre esta tão significante palmeira, possivelmente, muito conhecimento novo seria criado, creio, em aspectos como, processo de germinação da semente, desenvolvimento de plantas de menor porte, aceleração do processo de frutificação, ou produção comercial de frutos, entre outros aspectos.
Todo esforço da pesquisa científica nesse sentido deve ser, no mínimo, respeitável. O que não pode é manter-se uma postura romântica de adoração à palmeira, sem, contudo, desenvolvermos pesquisa que vise melhoramento da planta. Esta é uma postura que podemos abominar porque já a adotamos, no Estado do Maranhão, em relação ao arroz e ao algodão, e o resultado dispensa comentário. No âmbito nacional, a seringueira também foi vítima do imobilismo científico-governamental. Não logrou a mesma sorte o jaborandi, porque foi objeto da adoção transnacional – o que se deve evitar para os demais frutos desta terra. No caso do babaçu, tanto a iniciativa privada, quanto os órgãos oficiais, apesar dos ganhos aferidos pela palmeira, ainda estão devendo muito investimento em pesquisa para esta fonte de renda e de vida – a palmeira do babaçu.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Meus filhos e o dia dos pais
Sou um homem muito feliz com os filhos que tenho. São quatro: o Paulo é sempre muito alegre e é o que mais conversa comigo. Sempre que estamos juntos grudamos. Às vezes, quando ao encontro deles, dos que moram e estudam em São Luís, penso que não vamos ter tempo de conversar muito, que eles devem estar cheios de compromissos e não terão tempo suficiente para ficarmos juntos. Engano meu, sempre estamos com muita saudade e com muita coisa para conversar. Ainda as coisas que faço lhes interessam e me interesso muito pelo que fazem.
A Juliana é, para mim um mimo de Deus. Fiquei muito ansioso quando da sua chegada a este mundo. Fiz música para ela e tudo mais. Ela tem um olhar sempre atento e muito crítico. Gosto do jeito dela, ela tem o dom de me surpreender.
Luís Fernando tem o dom de ler a minha alma, é de poucas falas, mas, sempre muito incisivo nas suas colocações. Tenho a impressão que ninguém sabe tanto o que eu sinto quanto ele. Se existe alguém capaz de num rápido olhar radiografar a minha alma, é ele – Luís Fernando.
Joana é a minha menininha alegre, falastrona, com cinco anos possui um vocabulário que eu não possuía aos dez. Explicativa quando fala, instigante e inquiridora quando ouve. Dela sempre vem tiradas inusitadas. Alegre, energizadíssima e educada, é dela a alegria que irradia os meus olhos e transborda o meu coração.
Eles, os meus filhos, presenteiam-me tanto durante o ano, que para eles o dia dos pais é apenas mais um dia do ano que eles aproveitam para me dar carinhos. Neste ano, o maior de todos os afagos no meu coração veio da Juh, é assim que eu a chamo. Vejam só como ela afagou-me neste escrito que segue:
A Juliana é, para mim um mimo de Deus. Fiquei muito ansioso quando da sua chegada a este mundo. Fiz música para ela e tudo mais. Ela tem um olhar sempre atento e muito crítico. Gosto do jeito dela, ela tem o dom de me surpreender.
Luís Fernando tem o dom de ler a minha alma, é de poucas falas, mas, sempre muito incisivo nas suas colocações. Tenho a impressão que ninguém sabe tanto o que eu sinto quanto ele. Se existe alguém capaz de num rápido olhar radiografar a minha alma, é ele – Luís Fernando.
Joana é a minha menininha alegre, falastrona, com cinco anos possui um vocabulário que eu não possuía aos dez. Explicativa quando fala, instigante e inquiridora quando ouve. Dela sempre vem tiradas inusitadas. Alegre, energizadíssima e educada, é dela a alegria que irradia os meus olhos e transborda o meu coração.
Eles, os meus filhos, presenteiam-me tanto durante o ano, que para eles o dia dos pais é apenas mais um dia do ano que eles aproveitam para me dar carinhos. Neste ano, o maior de todos os afagos no meu coração veio da Juh, é assim que eu a chamo. Vejam só como ela afagou-me neste escrito que segue:
Gosto do meu pai ...
Gosto do meu pai como a um irmão. Torço por ele, rio dele e quero-o bem. Gosto dele às vezes deste jeito horizontal, sem quem educou qual ou quem vai cuidar de quem na velhice. Às vezes o adoro como a um filho. Sinto vontade de abraçar meu querido papai e dizê-lo que aaah, Prego, se eu já fosse viva quando você era criança... lhe abraçaria e lhe cobriria de beijos, dizendo-lhe que me orgulho tanto desse menino travesso, e que lhe amo como é, e que bom que você está no mundo. Não sei se a vida dele teria sido melhor, provavelmente não. Mas como gosto dele... como gosto!Às vezes amo-lhe oportunamente como filha. Peço-lhe colo, aconchego. Eu preciso ser bem clara ao pedir carinho a ele, porque meu pai não têm bola de cristal, mas eu quase sempre esqueço. Às vezes ele me acolhe como quero, às vezes me acolhe como pode, às vezes me abandona. Sinto-me órfã, como se ele nunca tivessm existido. Outras, sinto-me a criatura mais acalentada do planeta, como se ele fossem um leão/uma leoa dedicado/a completamente a carinhar e alimentar sua filhote. Amo meu pai como a uma filha; odeio-lhe, amo-lhe, sinto a perenidade do nosso laço. Sou-lhe grata e ao mesmo cúmplice. Admiro-lhe a história e a luta, a bravura, os cabelos brancos. Como um grande pajé: deu-me ensinamentos e ama-me a sua forma. Errara comigo, talvez não mais do que eu errei/erro com ele. Perdôo-o e o amo mais ainda por isso, porque me formou, porque tentou, porque se frustou e se orgulhou, porque me ensinou a andar. Amo meu pai com uma torcida egoísta de que nunquinha morra, e com uma intransigente vontade de que esteja e seja feliz. Amo-o com resignação, compreensão, dor, palavras, ausências, erros, acertos. Aceito-o e o escolho. Amo-o como posso, e de todo o coração. Enquanto humana, enfim, amo-o como a um humano.
Gosto do meu pai como a um irmão. Torço por ele, rio dele e quero-o bem. Gosto dele às vezes deste jeito horizontal, sem quem educou qual ou quem vai cuidar de quem na velhice. Às vezes o adoro como a um filho. Sinto vontade de abraçar meu querido papai e dizê-lo que aaah, Prego, se eu já fosse viva quando você era criança... lhe abraçaria e lhe cobriria de beijos, dizendo-lhe que me orgulho tanto desse menino travesso, e que lhe amo como é, e que bom que você está no mundo. Não sei se a vida dele teria sido melhor, provavelmente não. Mas como gosto dele... como gosto!Às vezes amo-lhe oportunamente como filha. Peço-lhe colo, aconchego. Eu preciso ser bem clara ao pedir carinho a ele, porque meu pai não têm bola de cristal, mas eu quase sempre esqueço. Às vezes ele me acolhe como quero, às vezes me acolhe como pode, às vezes me abandona. Sinto-me órfã, como se ele nunca tivessm existido. Outras, sinto-me a criatura mais acalentada do planeta, como se ele fossem um leão/uma leoa dedicado/a completamente a carinhar e alimentar sua filhote. Amo meu pai como a uma filha; odeio-lhe, amo-lhe, sinto a perenidade do nosso laço. Sou-lhe grata e ao mesmo cúmplice. Admiro-lhe a história e a luta, a bravura, os cabelos brancos. Como um grande pajé: deu-me ensinamentos e ama-me a sua forma. Errara comigo, talvez não mais do que eu errei/erro com ele. Perdôo-o e o amo mais ainda por isso, porque me formou, porque tentou, porque se frustou e se orgulhou, porque me ensinou a andar. Amo meu pai com uma torcida egoísta de que nunquinha morra, e com uma intransigente vontade de que esteja e seja feliz. Amo-o com resignação, compreensão, dor, palavras, ausências, erros, acertos. Aceito-o e o escolho. Amo-o como posso, e de todo o coração. Enquanto humana, enfim, amo-o como a um humano.
A mim só resta agradecer: muito obrigado Juliana Corrêa Linhares pelo amor de filha que você é. Te amo muito e, dirigindo-me a você, quero derramar-me de amor e carinho sobre todos vocês, pedindo sempre, é claro, que Deus, o grande arquiteto do universo, abençoe você, Joana, Luís Fernando e Paulo César.
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