segunda-feira, 13 de abril de 2009

Yes, we can!

Sim, nós podemos. Que significado tem esta frase tema da campanha de Barak Obama à presidência dos Estados Unidos da América para os negros e as minorias sociais do mundo inteiro?
Esta é uma frase contextualizada, cheia de símbolos e de vida, à proporção que segmentos sociais e grupos étnicos politicamente minoritários a assumem e a engendram de novos significados nos mais diversos pontos do planeta.
Barak Obama é um homem negro que, uma vez candidato a vaga para concorrer a Presidência do país mais poderoso do mundo, aparentemente, tinha poucas chances de vitória, ainda mais se avaliarmos o quilate da sua concorrente e companheira de partido – Hilary Clinton.
Dizer que a vitória de Obama seria difícil pelo fato de se tratar de um negro, seria simplificar demais o caso. Mas, se verificarmos atentamente que a raça negra foi alvo dos mais vis tipos de discriminação e, ainda, que vários cientistas sociais, ou metidos a tanto, se encarregaram de dar tintas científicas “às provas” de que por se tratar de um ser humano diferente o negro era também inferior aos brancos. E, uma vez assim, não teria condições de ascender socialmente, muito menos de governar ou dirigir qualquer organização e, o pior, seria, no pensamento dos racistas pretensos cientistas, destinado a ser dirigido ou escravizado pelas raças ditas superiores.
Se verificarmos os anos de escravidão negra no mundo, a história de luta pela liberdade dos negros nos Estados Unidos da América e, ainda, a circulação hegemônica do pensamento racista em vários cantos do planeta ainda nos tempos hodiernos, logo tomaremos consciência que não se tratava de uma missão fácil, a que o então candidato Barak Obama tinha pela frente – vencer a convenção do Partido Democrata, para depois tornar-se presidente do país mais poderoso do mundo.
No entanto, Obama contou com um trunfo que a própria história do povo norte-americano lhe colocou às mãos. Trata-se do fato de até a sua candidatura, somente brancos terem ocupado o cargo de presidente dos Estados Unidos da América.
Também a administração desastrosa de George W. Bush aditada ao descontentamento da maioria dos norte-americanos e à virtude que ele teve de conquistar aliados no seio da elite do seu país, constituíram pontos significativamente positivos.
Quanto ao tema, Yes, we can, revela o quanto ele e assessores foram felizes ao criarem um tema que é sobretudo um elo de identidade do candidato, hoje presidente, com o povo do seu país e do mundo.
A frase, como dissemos lá no início, está eivada de significados. Quem nele acreditou logo na primeira hora percebeu que se até uma pessoa cheia de trapalhadas como o Bush pode ser presidente dos Estados Unidos, uma pessoa inteligente, capaz, com perfil de estadista como Obama, também poderia ser.
O povo pobre, negro ou não, oprimido, viu em Obama o seu próprio retrato e de pronto o tema – Yes, we can - lhe fez ressonância intrínseca a cada um. - Claro, se Obama pode nós também podemos e votaremos nele, pois assim será mais fácil. Nós o elegeremos como representante e ele nos elegerá como meta de governo.
Para a pessoa negra que luta anos a fio sem nunca ter alcançado o pretendido lugar social sonhado, o exemplo de Obama lhe bateu à porta como um incentivo a perseverar na luta, insistir nos seus propósitos por que se ele é um de nós e conseguiu, isto é um indicativo de que se continuarmos na luta buscando os aliados certos, com objetivos bem delineados, disposição e inteligência suficientes para defender os nossos pontos de vista, nós também chegaremos lá.
A vitória de Barak Obama para aqueles que estão fora do círculo de poder e com ele se identificam, representa mais do que tudo um incentivo a lutar por seus propósitos.
Para os países negros, pobres, subdesenvolvidos, ele representa a esperança de um tratamento mais digno, de entendimento e compreensão da cultura local e mudança nas relações entre essas nações e os Estados Unidos.
O branco norte-americano, rico e poderoso percebeu que Barak Obama, mais que um negro, um político intelectual com uma imagem que desperta identidade com boa parte do mundo, é um cidadão norte-americano. Isto mesmo. Barak Obama é sobretudo um homem norte-americano. E como tal o seu sentimento primeiro e maior é cuidar das necessidades do seu país – os Estados Unidos da América do Norte.
Luís Inácio Lula da Silva por um triz não naturalizou Obama como cidadão brasileiro, quando se referindo a ele, disse aos jornalistas que a identidade dele com o povo brasileiro é tamanha que se o encontrássemos na Bahia pensaríamos que ele é bahiano. Da mesma forma, se o encontrássemos no Rio de Janeiro, pensaríamos se tratar de um carioca.
O certo é que Lula e Obama tem algo em comum. São o resultado da escolha de povos cansados de eleger uma elite branca intelectualizada que historicamente, no que pese o respeito por alguns de seus membros bem intencionados, contribuíram para colocar seus respectivos países, mantidas as proporções devidas, em patamares indesejados social, econômica e ambientalmente.Para Lula e Obama a frase caiu como uma luva e, certamente, eles serão exemplo da possibilidade que as pessoas simples tem de alcançarem patamares mais elevados na vida profissional. Por isso, eles continuarão dizendo no futuro, Yes, we can. Sim nós podemos.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Cidadania e meio ambiente




Algumas pessoas quando falam sobre o cuidado que se deve ter no trato com o meio ambiente, o fazem de forma tão enfática e alarmante ou apocalíptica que nos leva a pensar se tratar de algo tão lato e tão intenso que está além da ação da gente simples que somos.
Nada disso, a relação cidadão/meio ambiente precisa ser cimentada por pequenas atitudes cotidianas cuja prática deve ser incorporada à educação de cada pessoa.
Pequenas atitudes do dia-a-dia que devem começar na nossa casa, no ambiente de trabalho e nos ambientes públicos. Atitudes como: manter limpas as ruas e demais logradouros públicos, evitando sujá-los, procurando sempre a lixeira mais próxima para colocar o lixo que se produz.
Evitar jogar lixo nas estradas, principalmente quando os veículos estiverem em movimento. Viver em harmonia com o ar, a água e a terra. Isso requer comprometimento social de indivíduos, empresas, enfim, de toda a sociedade.
Pessoas e empresas, neste mister, devem agir em parceria com as instituições oficiais do executivo, legislativo e do judiciário. E aqui eu relaciono algumas ações que devem ser planejadas e executadas para o bem-estar da relação cidadão/meio ambiente, ou mesmo cidadão/cidade:
· Incentivar a coleta seletiva e a reciclagem de lixo urbano como plásticos, vidros, metais, orgânicos e materiais condutores de radioatividade, entre outros;
· Implantar núcleos de reciclagem, propiciando empregos às pessoas das classes menos privilegiadas;
· Implantar aterros sanitários municipais ou intermunicipais;
· Implantar ou incentivar a construção de abatedouros modernos capazes de aproveitar todos os componentes orgânicos bovinos;
· Estabelecer permanente campanha educativa de conscientização da população da importância de manter a cidade e respectivos logradouros públicos limpos.
· Estabelecer campanhas educativas para preservação dos corpos d’águas superficiais e subterrâneos, principalmente, aqueles que constituem objeto de utilização da população para consumo humano, recreação e turismo;
· Incentivar o florestamento e reflorestamento de espaços urbanos e rurais, como praças, avenidas e margens dos corpos d’águas superficiais (criar viveiros de essências florestais nativas e exóticas);
· Incentivar o uso recreativo ambientalmente correto de nichos ecológicos que necessitem de conservação ou preservação;
· Criar uma consciência coletiva do dever que cada cidadão tem de preservar ou conservar os espaços públicos ou particulares onde quer que esteje, como parte do compromisso social que temos como cidadãos;
· Buscar a participação de cada uma das empresas existentes na cidade, no processo de construção da consciência ambiental;
· Buscar a participação dos poderes constituídos, com o executivo promovendo as ações próprias e, concomitantemente, cumprindo as leis federais existentes; o legislativo, criando leis específicas, dando ressonância aos dispositivos legais ambientais existentes na Constituição Federal ou nas leis federais pertinentes, observando as especificidades de cada lugar; ao judiciário, efetivando com o necessário rigor, o cumprimento das normas legais que preconizam conservar ou preservar o meio ambiente. Observe-se que neste mister a promotoria pública tem papel de relevo.
A imprensa falada, escrita e televisada tem papel imprescindível também neste processo.Enfim, que cabe a cada pessoa ter a consciência de que este como tantos outros temas que demandem uma reflexão coletiva é necessário que avancemos da reflexão à proposição e, desta à ação. Não basta ver ou sentir, é necessário agir.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Violência na escola

Há tempos que a mídia mostra dezenas de casos de violência em escolas públicas e particulares brasileiras. São crianças, pré-adolescentes e adolescentes que se desentendem entre si, ou com professores e outros funcionários das escolas, que as repreendem por atitudes de indisciplina ou insubordinação.
Crianças que cometem casos de indisciplina não é uma coisa rara nas escolas, isto sempre aconteceu, mas, o que espanta e preocupa é a violência que permeia esses casos. São lesões corporais graves com tentativas de homicídios, homicídios, ofensas morais, traumáticas e irreparáveis, uma série atos que além de preocupar envergonham a sociedade.
Percebo que muitos tem pensado na origem das causas desses tipos de atitudes: se a escola, a família, o meio em que essas crianças e jovens convivem, ou outros.
No mundo hodierno, pai e mãe necessitam de trabalhar fora para obter o sustento da família, embora haja casos que mesmo os dois se submetendo a regimes de trabalho assemelhado à escravidão, o que ganham não é suficiente para darem uma vida digna à família. O outro aspecto deste fato é a atenção que falta aos filhos quando pai e mãe se ausentam de casa por tanto tempo, deixando os filhos a mercê da sorte, de um ou outro vizinho mais generoso, ou de terceiros que lhes prestam serviços domésticos.
A ausência de pai e mãe faz muitíssima falta no quotidiano da criança, porque lhe tolhe da assimilação da cultura familiar, ensinamentos, práticas, princípios, regras, limites que lhes são necessários na formação do caráter durante a infância e a adolescência. Quando esse convívio não existe ou é substituído por encontros pontuais ou eventuais, esses encontros tendem a ser ou festivos – os pais no afã de preencherem a lacuna deixada pela ausência do dia-a-dia, quando estão em casa no final de semana criam momentos de lazer ou festivos para, desse modo, suprirem a falta que fazem durante a semana toda. Outros fazem justamente ao contrário, aproveitam os encontros de fim de semana para corrigir prováveis erros cometidos pelos filhos durante as suas ausências. Neste mister, agem sob informações de vizinhos, parentes, ou recados ou avisos escolares que denunciam faltas cometidas pelos filhos. Neste caso, os poucos momentos de convivência se confundem com repressão.
Fique claro que atenção é muito importante e cara. Quando não há acompanhamento sistemático dos pais, a falta de atenção é assimilada pelos filhos, que de acordo com o caráter intrínseco de cada um, com a personalidade específica, reagem e a externam das mais distintas formas. Passam a cometer atos que chamem a atenção da escola, da rua, da vizinhança e, em muitos casos, da polícia. Uma vez tolhidos da presença dos pais, que lhes são abruptamente sugados por uma espécie de ganância social, deixam de assimilar a cultura familiar que o convívio com os pais lhes proporcionaria e passa a admirar “heróis” forjados na convivência fora de casa, tornando-se presa fácil da violência, das drogas, do crime.
O Brasil herda do regime escravista cacoetes desprezíveis que agravam as diferenças sociais entre os diversos segmentos da sociedade. Aqui me refiro à mania que tem os nossos governantes de capricharem sempre que fazem algo para as classes média e alta e negligenciarem, propositada e culturalmente, quando as coisas são destinadas às classes baixas. Essa herança pode ser responsabilizada por parte do descaso que se verifica nos bairros de classe baixa. Faltam áreas verdes, praças e parques onde as crianças possam ter momentos de lazer, faltam segurança, espaços culturais, as escolas não tem espaços físicos para esporte, laboratórios e cultura e, no tocante à metodologia de ensino e ao conteúdo programático são, de modo geral, fracos.
Embora haja estudos que diga ao contrário, eu insisto batendo na tecla do círculo vicioso da má qualidade do ensino público atualmente. Escola arquitetônica e educacionalmente insatisfatória, com professores mal pagos, desestimulados, desinformados, mal formados. Pouca ou nenhuma interação com a comunidade, encontro de pais e mestres com conteúdo negativo, sempre cobrando dos pais ao invés de estimulá-los a participar ativamente da vida dos filhos aliando-se à escola. Alunos desinteressados, pouco envolvidos ou comprometidos com a escola, aprendizagem aquém daquilo exigido pela sociedade e pelo mercado de trabalho. Mas, o pior de toda essa situação é a relação desrespeitosa entre alunos e professores. Turno ou tempo de estudo diário na escola incompatível com a situação social do estudante. É claro que neste meio há exceções.É necessário que se recrie a escola pública, compatível com a realidade dos alunos das classes sociais populares, integrando-os, despertando-lhe maior apego e prazer ao freqüentá-la. Entretanto, não há escola de qualidade que substitua a presença dos pais na vida dos filhos, portanto, neste momento de crise, podemos torná-lo num ótimo momento não só para pensar uma nova ordem econômica, financeira, ou monetária, mas, para repensar esse nosso modelo social, em que o mercado consome famílias e produz violência e chama tudo isso de desenvolvimento, agora, com o apelido de sustentável.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Corruptus brasiliensis

Podemos afirmar que não se trata de um pássaro, nem é um gênero de ocorrência exclusivamente brasileira, embora a espécie brasiliensis seja própria do Brasil, há indícios de que fora detectado há 500 anos atrás, é um patógeno, mas não é próprio nem descoberto no âmbito da ciência biológica, embora necessite da forma humana para se manifestar. O Corruptus é um mal do caráter, está no DNA de todo ser humano, mas, em umas pessoas é de caráter recessivo, enquanto em outras é dominante, ou plena e francamente dominante. Portanto, não é vírus, bactéria, nem pertence a classe insecta. No Brasil, as espécies que mais se manifestam e representam grande perigo à nação, ou mais especificamente, aos cofres públicos são o Corruptus brasiliensis executivus, o Corruptus brasiliensis legislativus e o Corruptus brasiliensis judiciarius. Estes podem se manifestar, quando encontram ambiente propício, nas esferas municipal, estadual e federal. Por isso, quando se deseja caracterizar o ambiente ou esfera de ação deste nefasto ser, coloca-se após o seu nome a letra inicial do ambiente em alusão. Assim, o Corruptus brasiliensis executivo m., refere-se ao brasileiro ou a brasileira de caráter manifestamente corrupto, que se nutre da subtração dos cofres públicos no poder executivo municipal. Mas, é comum que Corruptus de esferas de atuação diferentes ajam em perfeita sintonia, ou seja, têm ação sincronizada, em cadeia.
Todos são igualmente lesivos ao erário. Vale acrescentar que o Corruptus é um mal próprio à esfera pública, tendo na esfera privada a indução de um outro patógeno do mesmo gênero conhecido como Corruptus corruptoris, vulgarmente conhecido como corruptor, que age em parceria com as outras espécies alimentando-as para que estas possam ser cada vez mais danosas ao ambiente em que atuam.
Há quem afirme que no Brasil o maior de todos os males é a corrupção, ou seja, os estragos causados pelo Corruptus. Dizem que nem mesmo os estragos causados pelas intempéries climáticas se comparam à maldade e aos danos próprios da ação do Corruptus. Isto se explica pelo fato de o Corruptus ser tão malvado que mesmo num ambiente de estragos causados por secas, enchentes, terremotos, ou vulcões, o Corruptus age se aproveitando da situação, chegando mesmo a roubar até do flagelo decorrente do caos que se instala nessas situações. Só para se ter uma idéia do nível que chega a maldade dos seres do gênero Corruptus, eles são mais desastrosos que as guerras, uma vez que numa nação em estado de guerra, sob irreparáveis danos – morte, fome, desabrigo, miséria, o Corruptus se manifesta para tirar proveito da situação e, como é de costume, agravar o estado de necessidade da população. O Corruptus se nutre essencialmente da miséria humana e dentre as classes sociais, os pobres são as suas vítimas preferenciais. A fartura do Corruptus significa a falta de moradia, hospitais - leitos hospitalares ou a negligência dos serviços de saúde, a falta de transporte, segurança, alimentos, saneamento básico, educação, postos de trabalho e outros bens e serviços essenciais às pessoas das classes mais populares. O Corruptus quando age no âmbito das classes sem privilégios é chamado ladrão, contudo, esta não é uma terminologia própria da High society, habitat próprio, preferencial e costumeiro do gênero. Aliás há indícios de que a terminologia foi criada para distinguir ladrões de classes distintas, e ainda, porque o Corruptus por se tratar de um fino rapace, utiliza-se de meios refinados para subtrair o patrimônio público.