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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Quanto custa a atenção?

Há muito eu venho batendo nesta tecla. Atenção é um bem social de primeiríssima necessidade. No âmbito familiar eu a reputo como o bem mais precioso que se pode obter.
Por se tratar de bem de primeiríssima necessidade social, a sua falta é causa de transtornos ao espírito humano e por extensão à sociedade.
Já faz muitos anos que a estrutura padrão da família brasileira era formada, basicamente, por um pai provisor e uma mãe cuidadosa. Ao pai, era reservado o papel de buscar o sustento da família fora de casa, enquanto à mulher, cabia o papel de cuidar da família – filhos e marido. O pai era a cabeça da família, de onde, teoricamente, emanavam as ordens, as decisões. Sim, era isso que se propagava há alguns anos atrás. Ainda que se percebesse uma série de manifestações sociais que implicariam na mudança radical desse modo de vida.
Bem, as transformações socioeconômicas que se processaram na sociedade desfizeram o binômio pai provedor/mãe cuidadosa. A sociedade, a cada dia, exige que os pais deem aos filhos uma educação mais complexa e onerosa. Educação essa delineada pelo tal mercado de trabalho. Agora não é mais a família quem escolhe o que seu filho vai ser, mas o próprio filho faz a escolha em função das suas habilidades, é claro, visando exclusivamente o mercado de trabalho. É o mercado que determina.
Enquanto isso, no Brasil, o Estado de Provisão cedeu espaço ao Estado de Corrupção. Neste os serviços públicos que poderiam desonerar a família exercem força contrária, pela escassez, ínfima abrangência, má qualidade ou até por inexistir em alguns lugares. A escola pública de má qualidade, a saúde pública, a segurança transformaram-se num caos, a segurança praticamente inexiste para alguns setores da sociedade.
Tantas foram as transformações que oneraram a família que não deu mais para a mulher cuidadosa sobreviver. Ela desaparece e cede lugar a mulher companheira, mulher solidária, a mulher trabalhadora, que também tem que sair de casa em busca de trabalho uma vez que o salário do marido é insuficiente para cobrir o sustento da família. À proporção que o Estado corrupto se agiganta, a família tem que buscar no mercado serviços que antes eram prestados no âmbito estatal.
E essa nova condição familiar nos impele a responder uma interrogação central: quem, nessa nova formatação familiar se encarrega de cuidar dos filhos? Eles ficarão entregues à babá, à empregada, à escola? A quem cabe o papel de cuidar dos filhos? Claro que esse é um dever dos pais. Mas o problema agora é que esses pais estão ocupados com outras tarefas. E, acima deles, há chefes cobrando que essas tarefas sejam feitas em tempo hábil, em quantidade satisfatória, na qualidade desejada ou imposta por um padrão de trabalho, e num padrão economicamente lucrativo. Não bastassem essas pressões, outra se sobrepõe: a necessidade de buscar um ganho suficiente para pagar uma educação adequada para os filhos.
Vejam o paradoxo. É justamente a necessidade de assistir melhor aos filhos que impõe que os pais deixem a educação dos filhos sob a responsabilidade ou irresponsabilidade de terceiros.
O que a vida nos tem mostrado é que a falta de atenção que esse novo modelo impõe aos filhos tem resultado em inúmeros tipos de doenças sociais. Introspecção, timidez, agressividade, violência, desinteresse por princípios morais que norteiam a vida em sociedade, consumismo desenfreado, consumo exacerbado de bebida alcoólica e de drogas socialmente proibidas, nervosismo seguido de enjoos, náuseas, vômitos, anorexia, dores estomacais e outros sintomas constitutivos de doenças socialmente contraídas em decorrência da falta de atenção em algum momento da vida infanto-juvenil.
Não defendo em nenhum momento a volta a um modo arcaico de organização familiar, nem tampouco o patriarcado machista, entretanto, desejo aqui chamar a atenção de que nem tudo que rotulamos como moderno é o melhor para a nossa sociedade e, ainda, que fóruns de discussão devem ser constituídos para encontrarmos alternativas de vida socialmente mais salutares.
Ainda que muitas mulheres do nosso tempo optem pelo que chamam de produção independente, observamos que esse termo e a ação que ele pretende nomear não se adéquam a concepção da vida humana. Filhos resultam da união de um homem e uma mulher – pai e mãe. Durante o desenvolvimento da criança, a atenção do pai e da mãe é importante na sua vida. Eles têm papéis imprescindíveis e intransferíveis na vida dos filhos. Por mais que mestres, parentes e empregadas domésticas colaborem na educação dos filhos jamais substituirão os pais. É necessário que haja convivência, carinho, cuidados, ensinamentos, delimitação de direitos e deveres, educar para a vida. É da convivência entre pais e filhos que é engendrada a cultura de uma família. A cultura de uma família é o seu DNA socialmente constituído. A cultura familiar é muito importante na formação do caráter dos filhos.
Costumo dizer que filhos carentes de atenção são sérios candidatos a clientes de terapeutas, frequentadores de delegacias de polícia, protagonistas de páginas policiais e outras coisas do gênero. Enfim, filhos desassistidos podem ser muito caros à sociedade. Por isso, importa que a família seja pensada de forma mais intensa pelas políticas públicas, à proporção que famílias equilibradas fazem bem à sociedade. Claro que há exceções já que a vida em sociedade não segue um curso linear. Como certa vez ouvi de um experiente pai, numa reunião escolar: “para se fazer de um filho um bom cidadão, há que se fazer tudo certinho e ainda ter um pouco de sorte, do contrário, os pais podem fazer tudo certo e ainda sair tudo errado”.
Que fique claro, a atenção aos filhos é bem imprescindível e muito caro, contudo, não pode ser paga com celulares modernos, tênis importados, roupas de marcas, ou dinheiro farto para curtir a balada. O risco de monetarizar a atenção familiar pode ser traduzido no esforço de se fazer um furo no ar. Em outras palavras, é um atalho que não nos leva a lugar nenhum.

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Conversa entre pais e filhos IV

Cuidado com as classificações. Desculpem-me filhos, mas é necessário eu falar – cuidado com as classificações. Sejam cuidadosos com os seus amigos, não os classifiquem com expressões pejorativas, desclassificantes, dessas que causam pejo às pessoas. Minha mãe, dona Joana, sempre nos lembrava: quem tem vergonha, não envergonha os outros.

Do mesmo modo, não permitam que pessoas quaisquer lhes atribuam esses tipos de des-classificações. Não as autorizem, pelo contrário, desautorizem-nas terminantemente.

É comum nos espaços coletivos que frequentamos encontrarmos pessoas que atribuem a si a descabida autoridade para classificar pejorativamente as outras. São as conhecidas gaiatas, engraçadinhas, brincalhonas, que adoram provocar risos no grupo somente para chamar atenção. Para tanto, elas atribuem as mais diversas e esquisitas denominações às pessoas do seu convívio. São os tais apelidos.

Jovens não raras vezes são impulsivos... coisa da idade..., uma fase da vida em que as pessoas estão super-energizadas e vão fazendo coisas após coisas antes de qualquer reflexão. Às vezes fazem coisas brilhantes merecedoras de ovações, às vezes fazem coisas de mau alvitre que podem ser prejudiciais a si próprios, outras vezes fazem ou dizem coisas prejudiciais a outrem. Aí está o perigo. Cada pessoa tem um tipo de reação a esse tipo de investida. Uns se irritam e demonstram na hora; outros mais eufóricos partem mesmo para a agressão física ou verbal em retaliação à agressão sofrida; uns até acham graça; há os que se mostram indiferentes, entretanto, há pessoas que ali, no momento não esboçam qualquer tipo de reação, contudo, no seu íntimo se processam reações tão desgastantes que podem lhes causar prejuízos por toda vida. Há ainda, aquelas pessoas que guardam aquele momento amargo da sua vida no freezer, com tanto rancor, com tanto ódio, sem jamais distinguir ser aquele apenas um momento da juventude, uma brincadeira de amigo, um colega de classe que fez aquilo num impulso momentâneo. Ao contrário, essas pessoas congelam na memória todo o sofrimento que sentiram naquele dado momento e, com ele, o ódio da pessoa que a constrangeu, como uma fotografia irretocável com todos os defeitos explícitos que nem mesmo o tempo foi capaz de removê-los.

Outras pessoas se deixam impregnar de determinadas denominações depreciativas de tal forma, que passam o resto da vida lutando no sentido de provar a elas mesmas que não são aquilo que alguém certa vez lhes apelidou; não têm aquele defeito que alguém lhes atribuiu; são capazes de superar aquilo que alguém disse que não seriam capazes... e por aí vão...

Mas, para que apelidos se eles são tão constrangedores, que são capazes de constranger até mesmo a pessoa que os criou?

Amizade é para ser conservada, zelada carinhosamente. A inimizade não deve ser cultivada, por isso, evitem-na. Se alguém não nos serve como amigo, nem por isso deixa de desmerecer o nosso respeito.
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sábado, 10 de abril de 2010

Conversa entre pais e filhos II


Para continuar a conversa sobre a diferença entre adversários e inimigos, podemos ainda usar o futebol como um exemplo. Os ditos clássicos são realizados entre times de rivalidade tradicional, mas, a rivalidade entre jogadores e dirigentes de equipes distintas se restringe aos ambientes próprios à competição – o estádio de futebol, a estância de decisão jurídica específica. Aqui o adversário é o time, o ente coletivo, ou sua representação, cujo mandado deriva da autorização (voto) de um coletivo, portanto também deve ser observada como coletividade. Fora das instâncias de competição, jogadores, técnicos, dirigentes, torcedores podem conviver perfeita e harmoniosamente com os profissionais de equipes adversárias, nutrindo, não raras vezes, relação de íntima amizade.

As brigas entre torcidas organizadas são excessos, criminalizados, indesejados, repudiados por toda sociedade, justamente porque constituem eventos socialmente vistos como desnecessários, violentos, inoportunos, impróprios e geradores de inimizade.

A inimizade é cega, não distingue ambiente, ou ocasião, não percebe a dinâmica da vida e, consequentemente, lhe passa despercebida também a mudança, as variações propiciadas pelo decurso do tempo. Como se trata de sentimento sem limite, pessoas ou grupos sociais que se sentem inimigos costumam se posicionar sempre contra o outro lado. Não importa o tempo, o lugar, ou o motivo. Não desejam o bem estar do outro lado, pelo contrário, desejam-lhes a derrota, o infortúnio e toda natureza de perdas. Para tanto, podem recorrer à instância de poder legal ou ilegal, praticar atos lícitos e ilícitos, pois à proporção que os sentimentos que os movem se amesquinham os expedientes a que recorrem tendem à exacerbação, à força bruta e até mesmo à barbárie.

A competição constitui evento próprio da disputa entre adversários, concorrentes com objetivos semelhantes – um título, um nicho de clientes, instalação de uma organização em determinado local, outros fins. É norteada por regras instituídas, possui limites e tende a observá-los, caso contrário, o lado infrator estará sujeito aos efeitos punitivos da instância responsável pela manutenção do estado de regularidade. Entre adversários a competição se realiza em espaço regular, oportuno e, sobretudo, dentro de limites socialmente cabíveis.

A vida em sociedade pressupõe o convívio com diferentes. Daí a necessidade de saber conviver com as diferenças e, para tanto, necessitamos conhecê-las de per si. O conhecimento das pessoas com as quais convivemos nos permite mais capacidade para compreender os seus atos, o modo como se comportam e expressam, dando-nos maior suporte social de convivência harmoniosa. É, como o piloto que planeja uma viagem, necessário conhecer o plano de voo dos outros, para se posicionar e, à medida do possível, evitar entrar em rota de colisão. Como em nossas vidas, no espaço, aeronaves com distintos objetivos, passam por rotas semelhantes a todo instante. Por isso, aeronaves com planos de voo que as leve a cruzar uma mesma posição (coordenada geográfica) no espaço, devem ter alturas (altitudes) diferentes para evitar uma catástrofe.

Em nossos planos de vida, passaremos por diversos lugares onde encontraremos com pessoas que diferem da gente em vários pontos: religião, etnia, nacionalidade, posicionamento político, opção sexual, posição social, modo de expressão, temperamento, entre outras diferenças. Entretanto, essas diferenças não são indicativas de superioridade ou inferioridade, mas, simplesmente constituem traços específicos comuns a cada pessoa que o apresenta. É importante sabermos conviver com cada um dos tipos que encontramos ou encontraremos nos lugares que freqüentamos ou que haveremos de passar. O que não devemos perder de vista é o nosso plano de voo. Portanto, continuaremos a nossa conversa, em outro momento, a partir deste ponto – o nosso plano de voo. Até lá.
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segunda-feira, 8 de março de 2010

Conversa entre pais e filhos


Nós pais temos a propensão à pieguice nas conversas com os nossos filhos. Temos o cacoete da repetição e sabemos que eles abominam essa nossa mania de explicar o que já está explicado. Mas não nos envergonhamos, nem nos deixamos inibir ao fazê-lo, por sabermos da valia e das causas que nos motivam.

Queremos ver os nossos filhos preparados para enfrentar a vida, fora do limite da nossa casa. Por isso fazemos dos momentos em família instantes de aprendizado para conviverem com o mundo além residência: na escola, na universidade, no trabalho, na condução da sua vida como cidadãos. Para sermos sinceros, queremos mesmo é ver os nossos meninos de hoje, homens e mulheres vencedores. E por isto, ensinamo-los a se comportarem como tal em cada um dos lócus sociais por onde passam até alcançarem a maturidade.

Temos medo que os nossos filhos sejam distinguidos negativamente por quaisquer razões; por isso esforçamo-nos para que eles sejam educados. Na infância, não nos cansamos de lembrá-los para que não esqueçam as palavras mágicas da vida em sociedade: Bom dia! Boa tarde! Boa noite! Com licença! Por favor! Muito obrigado/a! E por aí vai...

Depois que os lembramos pela terceira vez, eles começam a nos lembrar também. “Sei, pai/mãe, já sei... bom dia, boa tarde, por favor, muito obrigada/o... o/a senhor/a já me falou isto um milhão de vezes”.

Quando adolescentes sempre nos preocupamos com os impulsos e a energia próprios desta fase. Aí o discurso muda. Ao saírem de casa sempre os lembramos: cuidado, se comportem, não se metam em confusão. Se vão para uma festa que terá comes e bebes: coma bem, mas com educação, seja elegante com as pessoas, não consuma bebida alcoólica, ou não abuse do álcool, beba socialmente, não esqueça a hora de voltar para casa, hein?...

Nas conversas sobre os relacionamentos e os debates nas disputas escolares tenham cuidado com as palavras. Se mal dirigidas ou escolhidas em hora imprópria, são capazes de criar mágoas inapagáveis. Se bem e educadamente colocadas poderão render frutos maravilhosos, respeito, admiração e amizades leais, sinceras, duradouras.

Ah, não se esqueçam de zelar pelas amizades, elas nos são caras, imprescindíveis, merecedoras da nossa grata atenção. E por falar em atenção, não esqueçam que esta, nos tempos hodiernos, é produto de elevada e primeiríssima necessidade no nosso convívio social. Lembre-se, se é produto socialmente imprescindível, não devemos negá-la a ninguém. Lembre-se, a ninguém.

Com cinco minutos de atenção você pode gerar uma alegria, ou uma amizade para a vida inteira. À guisa de ilustração, veja o elevado número de pessoas que, não contando com a devida atenção familiar, paga caro para dedicar preciosas horas de suas vidas aos divãs de psicólogos, psiquiatras, analistas, terapeutas. Outras, de sorte menor, passam boa parte de suas vidas nas prisões.

O conflito, a diferença de idéias, a divergência nesta ou naquela matéria, são próprios da vida em sociedade. Entretanto, o conflito social é evento que manifesta a necessidade de buscarmos a atenção para algum fato, a resolução para problemas manifestos ou tácitos, que existem no meio social, seja este a família, um grupo social, a cidade, o estado, o país. Conflitos solicitam e merecem atenção e cuidado. Devem ser tratados cuidadosamente, estudados em detalhe, para que seja possível o encaminhamento de resolução satisfatória.

Não devemos esquecer, porém, que as negociações de alternativas para resolução de conflitos requerem soluções que satisfaçam as partes envolvidas. Isto não significa que devem resultar num quadro marcado pelos binômios vencedor/vencido, ganhador/perdedor, vitorioso/fracassado. Esse tipo de resolução, muito comum em tempos passados, enseja novos conflitos entre as partes, no futuro. Se assim é, não resolve. Entretanto, se as partes se sentirem satisfeitas com o encaminhamento dado, se o resultado das negociações for um quadro onde as partes envolvidas se sintam, simultaneamente, vencedoras, provavelmente estas se respeitarão mais, estarão livres de entreveros da mesma estirpe no futuro e, o que é melhor, se sentirão à vontade para a busca de diálogo se isto for necessário no porvir.

Conflito social enseja disputa entre entes sociais individual ou coletivamente. Adversários não são necessariamente inimigos. Aqueles são pessoas ou grupos sociais que ocupam posições distintas, ou contrárias, eventualmente marcadas pela decorrência de inserção profissional, crença, ideologia, e/ou pela diferença de concepção sobre um ponto de vista qualquer. Isto é próprio, por exemplo, do meio acadêmico, onde cientistas de todos os ramos e naipes estão, a todo instante, aprofundando conhecimentos, criando novos paradigmas, desnaturalizando concepções ou fatos que o senso comum trata como inquestionáveis, desestruturando conceito antes utilizado como verdade absoluta, criando novos conhecimentos. Aqui o conflito de idéias, se bem conduzido, ficará só nas idéias; não transbordará para o pessoal. É comum, neste caso, os adversários buscarem aprofundar conhecimentos sobre as ideias defendidas por seus rivais, para que possam criticá-los com mais substância. Pode acontecer também, que o conhecimento mais denso sobre o pensamento do seu antagonista o leve a reconhecer que nele nem tudo é desprezível e, a partir de então, inteligentemente, o estudioso poderá até engendrar novos conhecimentos.

Mas, não nos iludamos, quando mesmo o debate acadêmico não é feito com base no respeito mútuo; quando não se pauta no aprofundamento de idéias bem concebidas e estudadas, quando a humildade científica sede lugar a arrogância e à vaidade dos títulos; quando a objetividade ou a relatividade científica é invocada para mascarar interesses pessoais nada nobres, provavelmente os projéteis lançados na direção das opiniões adversárias acabarão atingindo de ricochete as pessoas, e aí o que foi conflito de ideias passará a ser intriga pessoal, lamentavelmente. Por isso, todo cuidado é pouco na condução de qualquer tipo de debate.

As diferenças devem ser respeitadas e, além de tudo, observadas. É necessário aprendermos a conviver com as diferenças pela importância que elas têm nas nossas vidas. Somos todos diferentes, cada um de nós possui especificidades ímpares que marcam o nosso DNA seja do ponto de vista biológico ou social. Por isso, atentem que nos confrontos coletivos, nos quais os grupos debatem entre si, embora cada grupo comporte uma unidade, um ponto de convergência, uma plataforma de luta, uma carta de princípios, um regimento interno, ou um estatuto que o leva a se manifestar como um coletivo, creia, ele traz em si uma diversidade de pensamento, de forma de agir e se manifestar própria dos seus partícipes.

No debate, ou mesmo no confronto entre os grupos, as lideranças devem conhecer os seus adversários. Seus pontos fortes e suas debilidades, os seus pontos de convergências e as posições de divergências, em quais pontos podem transigir, os pontos que são inegociáveis, o modo como se comportam cada um dos componentes do grupo adversário e a importância de cada um intrinsecamente. Estas informações se bem utilizadas no âmbito da negociação poderão lhes render frutos valiosos.

Bem, quem disse que essa é conversa para um ato só? Continuaremos conversando num outro momento. E lembrem-se, começaremos falando a partir do ponto que encerramos este primeiro papo.
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