domingo, 5 de dezembro de 2010

Rio de Janeiro, antes tarde do que nunca

Valho-me deste conhecido e antigo dito popular para me referir à ação do Estado ao assumir, pela força, as favelas do Rio de Janeiro. Que não se trate somente da tomada do poder das mãos do crime organizado por narcotraficantes; que este ato, declaradamente apoiado pelo povo do Rio de Janeiro, signifique a definitiva assunção, pelo Estado, da população humilde e lutadora que vive nestes aglomerados urbanos onde a ausência do Estado é um fato histórico.
Quebra-se também, neste momento, um mito, de que os narcotraficantes são, de fato, os principais amigos, o pai e a mãe do povo da favela. Balela! O povo do Rio de Janeiro é um povo pacífico, alegre, divertido, ordeiro, trabalhador, mas, está longe da passividade que alguns observadores apressados diagnosticavam. O povo do Rio de Janeiro, sabiamente, escolheu o seu lado – lado do bem. Tem demonstrado isso, seja por meio do Disque denúncia, seja pela exposição das “bandeiras” brancas nas portas, janelas, ou em manifestações organizadas. Os gestos que reivindicam paz estão disseminados por todos os cantos, de todas as formas: faixas, cartazes, mulheres grávidas com as barrigas pintadas – PAZ!
Indubitavelmente, é mais do que um apoio às forças armadas para que retirem o povo do jugo do poder dos narcotraficantes instalados nas favelas há muitos anos, ocupando, com a violência e o crime, espaços públicos negligenciados pelo Estado. Toda esta manifestação popular expressa a vontade de uma parte da população que há muito deseja ser incluída no planejamento do Estado do Rio de Janeiro e do Estado brasileiro.
Que fique claro, a ação das forças armadas do Rio de Janeiro é de alto relevo, de inquestionável importância, necessária e, até aqui, imprescindível. Entretanto, esta é apenas uma parte da ação, que se não for levada à última instância, todo o esforço e recursos despendidos, prejuízo causado a muitos cidadãos e as vidas ceifadas até aqui serão em vão.
Não basta retirar a bandidagem das favelas, é dever do Estado ocupá-las definitivamente. A segurança é um item dentre as demais ações de política pública que devem ser levadas à população das favelas. Esta é uma ação que tem que ser levada às últimas consequências, sobretudo, porque se trata de uma ação emblemática o seu resultado, sem sombras de dúvida, terá repercussão nos demais estados brasileiros, uma vez que, em todos, a violência e a ação do narcotráfico grassam.
Não nos causa estranheza o apoio incondicional do presidente da república ao governador Sérgio Cabral. Ele, o presidente Lula, sabe da importância para o país, que o Rio de Janeiro resolva o problema da violência. Repito, trata-se de um caso emblemático cujo resultado deverá repercutir sobre os demais estados. Por isso, é necessário que as autoridades competentes ajam com determinação e competência.
Definitivamente, a ação que se desenvolve agora no Rio de Janeiro é da conta de todo cidadão brasileiro. Por isso, deve ser assumida pelo estado, pelo empresariado e demais setores da sociedade civil. Chega de indiferença. Basta da falta de atitude, tipo “tô nem aí”. A violência que se instalou no Rio de Janeiro é parte dos nossos problemas, ou assumimos isto, ou estaremos fadados a ser atingidos novamente de ricochete pela desgraça atirada sobre as camadas populares instaladas nas favelas do Rio, nas palafitas, nos guetos em quaisquer partes deste país.
Então, que logrem êxito as forças armadas no Rio de Janeiro, que sejam instaladas as unidades de polícia pacificadora e, com elas, os serviços públicos necessários: postos de saúde, hospitais, saneamento básico, espaços culturais, praças, cinemas, teatros, centros de formação profissional, escolas, faculdades, urbanização planejada, entre outros serviços que façam as pessoas sentir orgulho de pertencerem ou residirem nesses lugares.
Que no futuro, sejamos poupados de assistir cena como aquela em que um bando de jovens ignorantes, inocentes úteis ao crime organizado, corram desesperadamente, sem rumo, ou ao encontro da própria morte. É necessário que nessa caminhada Estado e sociedade criem alternativas para que as pessoas se sintam assistidas e os jovens possam ter outras escolhas além da subserviência ao crime organizado como “mulas”, “aviões”, ou outras designações que possam ter os inocentes úteis que se submetem à criminalidade.Urge que esses espaços sejam transformados em centros de oportunidade, especialmente para os jovens, assim eles jamais serão presa fácil do crime organizado pelo narcotráfico. Que fique claro, esta ocasião é mais que oportuna – é única.
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