segunda-feira, 27 de abril de 2015

Essa subjetividade chamada mercado

O que é mercado afinal? Poderíamos aqui optar por um espaço social onde se estabelecem trocas. Da mesma forma, conceituaríamos por um espaço geográfico dirigido às trocas. Definiríamos também como um campo de poder, onde as diversas forças atuantes, conforme uma diversidade de interesses, se relacionam, estabelecendo, de alguma forma, trocas em acordo com as suas necessidades, conveniências, convicções.
Já há algum tempo, a figura do mercado tem atuado nos noticiários como uma entidade, um ser além do bem e do mal – o mercado. Um ente de uma sensibilidade de pétala, um organismo com sensor intestino ou à flor da pele capaz de acusar golpes de ações governamentais que ora lhes causam desarranjos intestinais, ora lhe empurram à depressão. Um deus capaz de saber nomes corretos para cada pasta de governo, um conhecedor dos filhos do Brasil adequados a cada um dos ministérios da Esplanada e das autarquias a estes vinculadas. Surge uma vaga a ser preenchida no governo, logo o mercado reage e indica nomes de seres superiores dotados de conhecimentos, no mínimo adequados para assumir o cargo, ou a função. Mas quem tem o poder legítimo para indicar é a presidente, cujo poder foi conquistado de forma lícita, democrática, clara e legitima, nas urnas. A presidente exerce o seu poder da indicação, o mercado reage e a imprensa azul e amarela logo exibe o bico expressivo do descontentamento, afirmando que o mercado reagiu mal, sempre mal. Como a sua majestade (ou santidade) o mercado mostra a sua desconfiança, os seus resmungos, cochichos, boatos? Através das bolsas de valores, tendo como os seus intérpretes favoritos economistas, assessores de instituições financeiras e, ou de consultorias que lhes prestem serviços, momentaneamente enfocados pela imprensa bicuda, azul e amarela. Há também aqueles contratados pela televisão, cuja expressão maledicentemente categórica, contrária a quaisquer ações governamentais, constitui o caráter mais elevado do seu intelecto.
E por que isso? Porque como mais um fator da pressão ao governo federal engendrado e enfatizado, a cada noticiário, pela imprensa azul e amarela do Brasil que se prestidigita em uma entidade imparcial para expressar seu descontentamento com a derrota tucana, mal digerida até hoje.
Mas, de qual mercado a imprensa fala que reagiu mal a cada indicação do governo eleito pelo povo brasileiro? Trata-se de pessoas físicas e jurídicas, atuantes, especialmente, no mercado financeiro, que historicamente sempre levaram vantagens com a miséria do povo brasileiro, que no momento não se contenta com o lucro que têm, apesar da cotação do dólar. Essas pessoas, a título de ajuda-memória, adoram ver o dólar alto em relação à moeda brasileira, embora finjam o contrário – só misancene. Essas pessoas, historicamente, aumentaram os seus patrimônios com os ganhos que tiveram com as ações da Petrobrás e hoje gritam desesperadamente, pelas eventuais e momentâneas perdas com as quedas das ações desta ou de outra empresa estatal. Creiam, apesar de toda a reclamação, essas pessoas ficaram mais ricas durante o governo que eles chamam de “Governo do PT”. Aumentaram os seus patrimônios, viajaram e gastaram bastante no exterior e, apesar de tudo que têm, fazem e podem fazer, se dizem descontentes. Não se bastando com o que têm, agora querem voltar ao Poder, como crianças mimadas, querem o poder a todo custo e para tanto já falam até mesmo em golpe fantasiado de impeachment, embora não tenham qualquer plano para o país que vá além do robustecimento do próprio patrimônio.
Vejo em tudo isso um desrespeito com a maturidade do estado democrático brasileiro e,  sobretudo, com o povo brasileiro que foi às urnas em dois turnos e escolheu a pessoa em que acredita e deu-lhe um mandato de mais quatro anos para conduzir a nação.



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