quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Luiza Gonzaga Nogueira


Quem a conhecia por este nome no Codozinho, Lira, Belira, Vila Bessa, Macaúba, ou Madre de Deus? Três pessoas, creio que apenas três pessoas: Marlon, Helen e a Cláudia, seus filhos. Todos a conheciam apenas como Mocinha. Como no Codozinho, ninguém é filho sem dono, muitos a chamavam de Mocinha de Dona, porque Dona era como chamavam a mãe dela.
Cheguei ao Codozinho no início dos anos 1970, em 1973, para ser preciso. Não demorei a fazer amizade com ela. Depois fundamos a Turma do Saco, em 1974 e desde então ela passou a fazer fantasias de uma boa parte dos componentes. Era costureira, quase não saía de casa, vivia em função dos seus três filhos, mãe dedicada e, apesar de sair pouco de sua casa, era antenadíssima. Eu gostava muito de encostar na janela da casa de Mocinha e bater um papo com ela. Era divertido, uma sucessão de risos e sustos, porque Mocinha sabia de tudo que se passava naquele bairro, coisas que nós que só vivíamos na rua não sabíamos. Ela era minha amiga, tinha grande consideração comigo e eu com ela e filhos.
Lembro que uma vez ela me mostrou uma fotografia sua em preto e branco e eu quase cair pra trás. Pasmem, Mocinha quando jovem era linda, encantadora. Mas, eu só conheci esta sua fase por meio da aludida fotografia. Mesmo assim, confesso, tinha grande admiração por ela. Na verdade, não pela Mocinha mãe do Marlon, da Cláudia e da Helen, mas pela Mariléia. Algum de vocês que leem este artigo conheceu a Mariléia? Eu a conheci. Mariléia era uma atriz que pouca gente do nosso querido Codozinho conheceu. Um monstro sagrado no tablado, uma atriz fora de série que não deixava nada a desejar em frente aos maiores nomes do teatro nacional.
Mariléia era o nome artístico de Mocinha, era assim que ela era conhecida entre os artistas ludovicenses. Lembro-me da primeira vez que eu a vi atuando, foi pelo grupo Teatro Experimental do Maranhão – Tema, no Teatro Artur Azevedo, na peça intitulada “Hoje a banda não sai” dirigida pelo nosso saudoso Reinaldo Faray, figura com a qual ela já deve ter se encontrado no céu, a esta hora.
Um dia revelei à Mocinha a minha paixão pelo tablado e ela sem pestanejar me convidou para fazer parte do Tema. Participei de vários ensaios no grupo e até cheguei a substituir um ator chamado Lourival, na peça “Hoje a banda não sai”, em Pedreiras, numa apresentação num antigo cinema daquela cidade. Confesso que a experiência não foi das melhores.
Depois, acredito que em 1978, Reinaldo Faray montou o clássico “O lago dos cisnes” na qual eu, Nonato Cavalcante e outros amigos atuamos como pajens. Depois dessa experiência, eu me juntei com Heleno Fournier, Zequinha Cavalcante, Lúcia, Sílvia e outros amigos do Clube de Jovens da Igreja de São Roque, no bairro do Lira e fizemos o Grupo Firmamento, montamos uma peça chamada “O pesadelo”. Eu dirigi e atuei na peça. Foi um sucesso, mas paramos por aí.
Não tenham dúvidas, nessa fase da minha vida, fui influenciado pela Mariléia e, só quem a viu atuando pode compreender como aquela Mocinha, costureira, magra, quase inexpressiva se transformava no palco do teatro numa atriz maravilhosa. Além de lhe ver atuando no Tema, eu a vi no grupo de um senhor chamado Walter, ou Válter, com a mesma desenvoltura de sempre. Uma grande atriz, essa é a imagem de Mocinha que ficou impregnada na minha memória.
Mocinha, pelo bom papo, pela amizade, pela delicadeza e elegância que você sempre me tratou, eu peço a Deus que te ilumine onde você estiver. E, aos teus filhos, Marlon, Helen e Cláudia, diante dessa saudade enorme que você deixa, eu apresento os meus sinceros sentimentos.


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