domingo, 7 de dezembro de 2014

Reservaram um dia para o samba

Hoje, quando eu me dirigia para o trabalho coloquei um disco de música negra que poderia chamar aqui de música negra ancestral, se me permitem. Moçambique, tambor de mina, tambor de crioula, reisado, toque do Divino Espírito Santo, coco, entre outras. Comentava com o meu filho, Paulo César, que mesmo sem eu ser um profundo conhecedor da história do samba, me arriscaria a duvidar que este seja originário de um único ritmo ancestral, como o Jongo, por exemplo.
No alguidar de variedades de músicas negras ancestrais existe um sem número delas com um formato de versos e refrãos em que o partido alto se assemelha muito. E, pela forma como o povo negro foi distribuído e adaptado no território brasileiro crê-se que essa variedade de ritmos e danças emergiu conforme as condições sociais de cada ambiente em que esse povo vivia.
Instrumentos foram forjados em consonância com as condições objetivas de cada grupo social. Couro, madeira, ferro, vísceras de animais e tantos outros materiais encontrados em cada ambiente foram transformados em instrumentos musicais utilizados na elaboração dos mais diversos sons. Cabaças foram cobertas com os frutos de Santa Maria para harmonizar-se  com os sons de retinta feita de ferro e coberta com couro de gato, cuíca, tambor onça, pandeiro e pandeirão, agogô, tambores de madeira e couro, como os do tambor de crioula, ou as caixas do Divino, maracá, reco-reco, rabeca, castanhola (como as do Lêlêlê, ou Pela porco), dos mais diversos materiais.
O tempo encarregou-se da diversidade, e desse instrumental forjaram-se sons que foram fundidos à poesia em suas várias formas e nuances, feitas para cantar, sobretudo a vida e tudo mais que dela decorre. Creio que nessa variedade já existia, assim como um gene, gotas de samba intrínsecas no sumo cultural desse mostro que se vivenciava a cada festa de santo, nas brincadeiras ou lazer das comunidades. Em se tratando de Brasil, é difícil não imaginar a mistura que os diversos povos que colonizaram esta terra propiciaram. É difícil distinguir quem não foi influenciado por quem.
O samba é produto desse suco pisado e amassado no alguidar Brasil, com a influência inegável dos portugueses, que trouxeram do Norte de Portugal o nosso harmonioso cavaquinho. Almir Guineto aquiesceu a ideia do saudoso Mussum e adaptou o banjo (desenvolvido por escravos mexicanos e adaptado à música americana como o Blues e o jazz) à harmonia do samba, como recurso capaz de sobressair-se ao volume percussivo comum nas rodas de samba. O violão, a exemplo, do cavaco, também veio da Europa para temperar essa música maravilhosa. Se estudarmos a história do samba, perceberemos que em sua linha do tempo variados tipos de tambores entraram e saíram da sua formação, ora nos terreiros, ora nos salões.
Uma música feita assim não poderia ser diferente no que respeita a variedade dos tipos de samba criados. Com o tempo viu-se o samba de diversificar em formatos como: samba canção, samba de enredo, samba de breque, samba sincopado, samba de gafieira, sambalanço, bossa nova, sambas de carnaval, partido alto, samba de roda da Bahia. No Maranhão, temos ritmos inigualáveis como o samba dos blocos tradicionais e o samba dos Fuzileiros da Fuzarca.
O samba tem ritmos e história que não cabem em um só artigo, nem eu tenho essa pretensão de fazer aqui uma abordagem com uma abrangência tão pretensiosa, mas apenas uma forma de homenagear essa música que nos inspira, serve de lenitivo para as dores da vida, nos diverte, nos alegra, enfim faz a nossa vida mais gostosa, mais prazerosa. Nada mais correto do que homenagear essa música. Por tudo que esse ritmo é, viva o samba.
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