domingo, 13 de janeiro de 2013

Lições de sucesso



Observo que neste país é comum as pessoas inventarem defeitos para as bem sucedidas, excepcionalmente, aquelas que emergindo de estrato social mais baixo lutam, conseguem sucesso e se mantêm no topo.
Não importa qual o ramo profissional a pessoa se destacou. Também poucos desejam saber sobre o esforço despendido, os sacrifícios que o sucesso demanda, a sabedoria, o bom senso usado para suportar indivíduos insuportáveis que sempre aparecem no caminho daqueles que batalham para ganhar a vida. Nada importa, fez sucesso na vida profissional, logo surgem os defeitos.
Já vi elementos admirando-se do sucesso dos outros, serem bem taxativos: “Fulano mal completou dois anos de emprego e já possui casa com piscina”; ou ainda, “ela tem seis meses de emprego e já está de carrão”. São comentários notadamente eivados de inveja, como se ter uma boa casa, ou comprar um carro com o suor do seu trabalho se tratasse de coisa vergonhosa.
“Beltrano está rico, não sei como...”, comentário que soa como se alguém tivesse que prestar contas às suas amizades ou ao vizinho da forma como faz para ganhar o pão de cada dia. Há mesmo aquelas pessoas que associam a riqueza com a sujeira, tipo: está rico, não presta. Esse viés ideológico, ao que tudo indica, é há muito conhecido pelos marqueteiros políticos. Lembram-se do slogan do Lula naquela eleição que ele perdeu para o Collor de Melo? “Sem medo de ser feliz”.
Depois de eleito, o cara mudou a cara do país, mas os adversários não cederam à tentação de continuarem azucrinando a vida do presidente, aí foi a vez de o povão entrar em cena com o apelo “deixem o homem trabalhar”.
Há algumas evidências que me levam a acreditar que essa coisa de aceitar o sucesso de apenas uns poucos pode ser um cacoete herdado do Brasil escravocrata, da mágoa de ver a abolição acontecer e os senhores de escravizados desejarem que, uma vez libertados os escravizados fossem malsucedidos na vida além da senzala e, assim, desejassem voltar à escravidão.
Acredito que nesse sentimento há também uma herança dos tempos da ditadura militar, quando as pessoas que faziam oposição no país falavam da “causa”. Lutar pela causa era uma glória, ficar indiferente a ela era alienação. Então aquelas pessoas que preferiam se dedicar à profissão e foram bem sucedidas eram apontadas, pelo dedo sujo de ideologias, como burguesas. E, claro, naquele clima, ser burguês era um pecado mortal, inspirava a raiva contra si. Noutras palavras, ser rico não era uma coisa boa, pelo menos para alguns marxistas de manual. Daí também a propensão da colocação de defeitos em pessoas bem sucedidas.
É como se o sucesso fosse coisa para repreender, não para imitar. Quando na verdade uma atitude sensata seria aprender com as pessoas bem sucedidas. Assim como fazem as empresas inteligentes, que chamam técnicos de futebol, técnicos de voleibol, ou outras pessoas que conseguiram o sucesso com esforço e inteligência, se destacando naquilo que fazem, para conversar com seus funcionários, para que estes aprendam que sucesso não se faz apenas com a vontade, mas com a atitude, perseverança, sabedoria, muito trabalho e outros ingredientes mais. Há mesmo quem afirme que o sucesso é mais transpiração do que inspiração.
Quaisquer que sejam os ensinamentos, quando vêm de pessoas bem sucedidas, que ganham a vida honestamente com o suor do trabalho duro, é melhor aprender que se deter à imobilidade da crítica destrutiva. Hoje a pessoa moderna é aquela que sabe aprender. Isto também serve para as empresas. Nada nos custa aprender com aquelas pessoas que ascendem na vida pela escada do trabalho e do saber. Aprender, antes de qualquer coisa, é uma atitude inteligente. Por isso, lições de sucesso devem sim ser aprendidas e reproduzidas. 
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