domingo, 10 de fevereiro de 2013

Planejamento e governo


Luiz Fernando do Rosário Linhares[i]
Planejar é uma necessidade de toda organização que deseja ter êxito no desempenho das suas ações. No âmbito da iniciativa privada ou na esfera governamental, planejar é imprescindível. Nenhuma organização que deseje se sobressair no ramo em que atua poderá prescindir de conhecer-se intrinsecamente e, concomitantemente, ter ciência da sua posição em relação à concorrência. É necessário prever estados futuros, saber aonde quer chegar num horizonte de tempo definido.
Hoje as organizações lançam mão do planejamento estratégico para definir a sua missão, a visão que desejam ter diante da sociedade, objetivos e as metas que almejam alcançar ou sobrepujar. Daí a expressão “bater metas”de uso tão comum nas empresas.
Na esfera governamental, de modo geral, o período de janeiro a abril é dedicado ao planejamento, contudo, esta não é uma regra. Há muitos administradores que não dão a mínima atenção para o planejamento. Resultado: administram a bagunça, trabalhando como bombeiros, apagando fogo aqui e ali. Comandam uma administração reativa, de ações pontuais e emergenciais. Não fazem a mínima distinção entre o global e o local, também não ligam ou não percebem as demandas tendenciais da população. Não captam recursos a partir da demanda da população, mas apenas acolhem as verbas ou, como costumam chamar, os projetos que lhes chegam à mão por meio do poder legislativo, ou através de programas do executivo. São administrações eivadas de improvisos e erros administrativos, retrógradas, incapazes de qualquer ato inovador.
Administrações que planejam são cônscias do lugar em que ocupam, da realidade em que vivem. Planejam ações a partir dessa realidade, possuem visão da realidade global da sua jurisdição e de microrrealidades que envolvem setores da administração ou segmentos sociais. São proativas, captam recursos a partir de um plano que contempla ações de fato demandadas pela população. Elaboram seus orçamentos a partir de um sistematizado plano de ações. Pensam as cidades num horizonte temporal de longo prazo e costumam integrar ações e os respectivos setores administrativos que as executam.
Como conhecedores da realidade global da sua jurisdição, os administradores que planejam promovem a educação, a saúde, o saneamento básico, a cultura, o esporte,  ações ambientais, a agropecuária, o urbanismo, ações fiscais, a habitação, a segurança, o lazer, ações sociais diversas. Criam um ambiente favorável ao desenvolvimento empresarial, atraem investimentos particulares e fomentam a criação de emprego e renda.
Desta forma, o plano de governo passa a funcionar como um instrumento de interlocução entre administradores organizados e as potenciais fontes de recursos. Não raras vezes, administradores municipais criam projetos que, uma vez levados à captação de recursos junto a ministérios, servem de mote para o desenvolvimento de programa regional ou mesmo nacional. Isto acontece pela ação inovadora do administrador.
Creiam, pessoas inovadoras são as que mais contribuem para a mudança e o desenvolvimento da nação. Algumas pagam alto preço, porque nem sempre são de pronto compreendidas, mas o tempo, senhor dos incrédulos, sempre coloca as coisas nos lugares certos. Juscelino Kubitschek, quando ainda prefeito de Belo Horizonte, usou da sua experiência de médico e analogamente ao exercício da profissão, fez um diagnóstico da cidade e com base neste projetou ações que de tão bem sucedidas desencadearam a sua ascensão ao governo de Minas Gerais e, daí à Presidência da República. Vou prescindir dos maus exemplos, pois deste o senso comum e o desprezo popular se encarregam.


[i] O autor é engenheiro agrônomo e mestre em políticas públicas.
 

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