domingo, 14 de abril de 2013

Joaquim Barbosa: competência e diferença versus inconformismo


O ministro Joaquim Barbosa é o primeiro negro a exercer a função de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e, da mesma forma, o primeiro negro a chegar à presidência do STF. De origem pobre, de destacada imparcialidade nos seus julgamentos, homem de coragem, reconhecido saber no âmbito da sua função, ministro que mais se destacou no julgamento do mensalão, hoje de grande notoriedade nacional e internacional.
Apesar de todas as qualidades que lhe credenciam à ocupação do cargo, desde a condenação dos rapaces de colarinho branco envolvidos no conhecido caso mensalão, ao que tudo indica, uma parte da elite brasileira vive inconformada com o ministro Joaquim Barbosa. O ministro não se intimida com posturas do tipo “sabe quem sou eu?”, ou com recomendações como “procure o seu lugar”. Isso tem irritado muitos dos seus interlocutores ultimamente.
Observo que recentes reclamações ou mesmo pichações de uma elite inconformada porque o ministro Joaquim Barbosa tendo a origem que tem não lhes baixa a cabeça, nem tem medo ou vergonha de lhes mostrar o nariz arrebitado. Esse inconformismo se revela em frases como “não está talhado para o cargo que ocupa”, “não tem postura condizente com o cargo que exerce”, “temperamento incompatível com o cargo”, dentre outras pérolas da mesma estirpe.
Tudo que se lê nesse sentido soa como se dissessem que o ministro que teve a coragem de condenar rapaces abomináveis da elite brasileira está andando além daquilo que deveria, ou seja, tendo chegado no lugar em que chegou deveria mesmo era se conformar, gozar dos privilégios do cargo e deixar o protagonismo para os seus pares da elite; ou ainda, que ele, o ministro Joaquim Barbosa, deveria ser mais discreto e empinar menos o seu nariz chato, pois assim evitaria de parecer com, ou superar os ministros que lhe antecederam no cargo em que ocupa no momento. Também se pode sentir a inveja que sentem aqueles que se acham mais do que o ministro Joaquim Barbosa ao vê-lo hoje uma sumidade nacional, abraçado pelo povo brasileiro por ter feito o que todos nós brasileiros das classes mais populares esperamos há séculos dos homens que fazem a Justiça brasileira.
Em síntese, de nada adianta o disfarce de acusar o ministro de intolerância, quando os que o acusam não toleram ser encarados por interlocutores como ele. Por favor, elite brasileira inconformada e contrária à condenação dos seus iguais, deixe o ministro exercer o cargo da forma como ele sabe, mesmo que seja diferente dos seus antecessores. Ele tem competência para tanto e todos nós sabemos. Por gentileza, deixe de culpá-lo de intolerância com os diferentes, pois afinal de contas o diferente dentre os vossos filhos é ele. Afinal há mais de 500 anos ele bate com a cabeça no teto de vidro que pairava sobre si. Ele conseguiu e não sabemos se outro de nós conseguirá em breve tempo ou se precisará de mais 500 anos.
Ah, antes que eu me esqueça, não adianta querer colocar nódoas sobre os méritos do ministro Joaquim Barbosa, de nada adiantará o vosso disfarce, todos sabemos do quanto andas aborrecida pela firme decisão e pela perseverança dele em mandar os vossos filhos rapaces para a cadeia. Não adianta tentar demovê-lo repetindo mentiras, fazendo chacotas, ou usando outras formas de disfarces para denegrir o caráter do ministro, afinal nem todos os seus filhos são insensatos e arrogantes, há aqueles que estão verdadeiramente focados nos méritos do presidente do STF. Já é tempo de darmos “a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, então deixe de sentir nojo das mãos que limpam as vossas sujeiras.

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