sexta-feira, 16 de março de 2012

O Exame Nacional do Ensino Médio um projeto socializante



Luiz Fernando do Rosário Linhares[1]

Se é verdade que o Brasil de hoje ainda há muitos traumas dos vinte e tantos anos de ditadura militar, também é verdade que ainda encontramos por aqui cacoetes de um socialismo utópico e ingenuamente pensado, mas sempre com desastrosas consequências.
Em governos passados observava-se uma mentalidade que pensava na homogeneização do país. Assim, formatavam programas que tendiam a tratar as diversas regiões como se fossem iguais, como se não tivessem peculiaridades que as diferenciassem entre si.
Nesse sentido, foram criados sob o signo de um planejamento centralizado sistemas de empresas nacionais, como Ceasa (Centrais de Abastecimento S. A.), Embrater, que congregava as empresas brasileiras de assistência técnica – Embrater, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), entre outras experiências.
Curiosamente, dentre essas instituições, aquelas que foram reformatadas, acolhidas pelos governos estaduais e adaptadas as peculiaridades das suas respectivas regiões, sobreviveram. As demais sucumbiram, ou vivem em inanição.
Anterior a essa experiência, temos o exemplo da previdência. Antes do Instituto Nacional de Previdência Social – INPS, hoje, Instituto Nacional de Seguro Social – INSS, toda instituição pública ou empresa privada possuía a sua caixa de pensão, ou seja, sua previdência particular, que funcionava muito bem e era, inclusive, objeto de fortalecimento das diversas categorias profissionais.
Com a criação do INSS, todos nós já sabemos o que aconteceu - as coisas pioraram. Os trabalhadores estão a cada dia menos assistidos e o governo após anos seguidos de contínua corrupção e malversação do dinheiro público, reclama de déficit na previdência e, como se fosse pouco punir o trabalhador brasileiro com corrupção e impunidade aos corruptos, o culpa pelo rombo na previdência.
O cenário hodierno mostra que a lição não foi aprendida, todos sabem que este é um país de dimensão continental, com regiões distintas, cada qual com as suas especificidades, entretanto, ainda há aqueles que insistem em tratá-lo como um pedaço de terra homogêneo.
Provavelmente, imbuído do mesmo pensamento que movia outros governos passados, o governo Lula veio ressuscitar uma fórmula natimorta, agora com a criação do Exame Nacional do Ensino Médio, Enem.
O Enem surgiu de uma demanda inexistente, uma dessas criações “inovadoras” surgidas unilateralmente da ideia de tecnocratas do governo, a partir de pressupostos de duvidosa consistência. Deu no que deu, provas flagrantemente roubadas e comercializadas; brigas na justiça, que partem de demandas de alunos que se viram prejudicados pelas lambanças presentes na execução do Enem. O Enem é mais um desses projetos que todos sabem que não dará certo, mas, alguns insistem em preservá-lo em nome e prejuízo da maioria.
Ainda bem que a insensatez não foi uma unanimidade, a Universidade de Brasília (UnB), a USP não consentiram expor os alunos demandantes de vagas nas suas faculdades aos desmandos do Enem. Isto prova que a insensatez do Enem não grassa em todo o país, resta-nos alguns nichos de sensatez.



[1] O autor é MS em Políticas Públicas. 

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sexta-feira, 9 de março de 2012

Da condução elegante à limpeza da cidade


O trânsito de São Luís está horrível, carece de planejamento, precisa ser repensado de forma extrema e cuidadosamente profissional.
São Luís precisa de transporte rápido de grande capacidade. Estou falando de metrô de superfície.
Precisa aperfeiçoar a programação do transporte, ou melhor, das linhas de integração existentes. O que não pode é deixar como está. O povo ludovicense não merece isso. Concorda? São Luís precisa de administração que mostre amor telúrico ao agir. Gente trabalhadora e honesta como o nosso povo, que transforme voto em trabalho. Que acabe com as palafitas, que retire das áreas de risco todos os casebres. Que construa escolas que funcionem em tempo integral. Que coloque o Ginásio Costa Rodrigues em funcionamento como antes, com as escolinhas de basquete, voleibol, basquetebol e todos os outros esportes olímpicos que lá couber. Que recupere as feiras e mercados, ou jogue a toalha no chão, privatizando-os como sinal da incompetência do poder público municipal.
Estou querendo demais? Nada disso, estou apenas querendo que recuperem a cidade que tínhamos.
Nós precisamos melhorar a cidade que temos e que amamos. Mas, não só o poder público tem que funcionar. Cada cidadão tem a sua parte de contribuição.
Reconhecida a precariedade do trânsito, devemos ser mais gentis quando na condução de veículos automotores. Evitar brigas no trânsito, mais do que uma necessidade, é um ato de educação. Obedecer à sinalização, especialmente a que implica no respeito ao direito dos pedestres e ciclistas, também faz parte do bom exercício da cidadania.
Mais que desnecessário é o ato de jogar lixo pela janela do carro. Caríssimos, hoje todos os postos de lavagem oferecem, gentilmente, saquinhos próprios ao acondicionamento de lixo no carro. E, na falta deste, qualquer saquinho pode ser utilizado para isso.
Nada de jogar latinha de refrigerante na rua ou na avenida. Este é um ato ridículo que deve ser descartado. Quem gosta de cidade limpa não a suja.
Ninguém tem o direito de sujar os espaços públicos. Isto significa adentrar no direito de outros cidadãos. Além de tudo, zelar a cidade que vivemos é mais que um ato de educação, um gesto de amor.
É fato, da condução elegante ao zelo pelo patrimônio público temos oportunidades para demonstrar o nosso amor pela cidade. Não precisa muito, basta ser elegante, gentil, educado, cuidadoso para com ela – a Ilha do Amor.

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segunda-feira, 5 de março de 2012

Bem-te-vi a resistir a insensatez humana


Do rouxinol que voava entre as árvores do quintal da casa onde passei a minha infância eu só guardo a lembrança.  Se ainda existem são raros. Há quem diga que foram substituídos pelos pardais, mas como podem os pardais substituir os rouxinóis se destes não têm o canto, a beleza, o encanto?
Os rouxinóis são uma referência perdida da minha infância. Não ver rouxinóis nos lugares por onde eu ando é como chegar a Rosário e não ver a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, onde eu me batizei; ou me deparar com a inexistência do Grupo Escolar Joaquim Santos, onde eu estudei o primário (hoje ensino fundamental menor).
Mas nem tudo na vida são perdas. Durante todo o curso da minha vida ouvi o canto de um pássaro que para mim é o mais significativo símbolo de resistência da natureza – o bem-te-vi.
O bem-te-vi é um pássaro que carrega em si o signo da liberdade. Não atrai a atenção do homem para os rigores da prisão domiciliar nas nefastas gaiolas utilizadas por aqueles que habitualmente prendem pássaros para ouvir os seus cantos. Barbárie! Não percebem eles que qualquer ser que emita um canto de boa sonoridade cantará melhor se estiver livre, no seu habitat natural? Mas, não há do que se admirar quando se pensa na capacidade ou nos quereres dos seres humanos. Lembro de um professor da Escola de Agronomia do Maranhão que advertia-nos - “nós somos tudo em potencial”.
De repente nos surpreendemos com o canto de um pássaro que pode estar no galho de uma árvore ou no fio da rede elétrica. Seja de onde for ele entoa o canto irretocável bem-te-viiiii.
Provavelmente, o canto do bem-te-vi foi desde sempre a causa do desinteresse do homem em aprisioná-lo. Creio que os adeptos do aprisionamento dos pássaros de sonoridade exuberante ficavam desconsertados e, por isto, desconcertados, com o canto do bem-te-vi. Quando o bem-te-vi emite o seu canto, o homem o percebe como uma acusação, como uma desconsertante distinção por atos ecologicamente incorretos que os homens cometem desde os primórdios.
Então para que trazer para perto de si um pássaro que passa a vida a apontar o seu “dominador” com acusação do tipo:
- bem-te-vi a desmatar os espaços onde eu vivia e eu ainda resisti;
- bem-te-vi a erguer blocos de concreto onde outrora era mata que me abrigava e alimentava, e eu resisti;
- bem-te-vi a tocar fogo na mata abundante que abrigava a mim e outras tantas espécies e eu resisti;
- bem-te-vi a inundar as imensas áreas verdes, afogando entes que não voam e não nadam e eu resisti;
- bem-te-vi me atirando pedras com teus estilingues e outros projéteis com armas de fogo e eu resisti;
- bem-te-vi com os teus alçapões a oferecer-me frutas frescas com os teus ardis e eu resisti;
Bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi...Bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi...Bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi...
Se há um animal que tem uma plasticidade que historicamente lhe permite acomodar-se a um sem número de situações criadas pelo homem, este é o bem-te-vi. Hoje o bem-te-vi se urbanizou quase que definitivamente. Seu canto está no fio do telefone, na cobertura do apartamento, no arbusto que decora o jardim da casa, no telhado da casa, no terraço do apartamento.
Se pensa o homem que, com as suas ações ecologicamente incorretas, pode perseguir o bem-te-vi, saiba que a ação ou reação do bem-te-vi volta de ricochete, pois onde quer que esteja o homem o bem-te-vi seguirá o acusando, entoando um canto inconfundível que para sempre ecoará em seus ouvidos: bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-vi, bem-te-viiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Preto Cunha disse...

Pena que não participei do grupo de estudantes que queriam se formar, pois logo fui para a Marinha, mas sempre que entrava de férias, vinha a São Luis rever os amigos, a Jane Mary de César de Bibi, é uma senhora muito bacana assim como o César.
Sabe Prego na segunda de carnaval nos encontramos na Turma do Saco.
Zé Costa,Cabeça, Chico Bahia, Laurindo, a Elzinha estava por lá, depois eu cheguei e soube que ZECO Kim esteve mais cedo e chorou quando viu tudo por lá, mais tarde chegou Jesus irmão de Elzinha, e o papo rolou por muito tempo acompanhado de umas cervejas, estávamos esperando a MITS, sair para o desfile, faltou você para completar, rolou muita conversa sobre as peripécias da turma no passado, estamos esperando uma confirmação sua para uma reunião, para conversarmos e contarmos algumas histórias do Codozinho.
Amigo, um abraço de Preto Cunha

24 de fevereiro de 2012 03:51

Baía disse...

Realmente meu caro amigo, é muito gratificante quando sem nos apercebermos, nos deparamos com alguém que ha muito não víamos, é só felicidade. Foi assim no dia que a nossa Turma do Saco desfilou, faltou você, César, Benedito..mas, estavam além de mim, Preto, Costa,Ratinho, Reginaldo, Bodinho, Pilu, a meninas de Bibi, Jibóia, Roberto Costa, Elzinha, Aparecida e esposo, Enfim, amigos tantos para sempre, eu era todo felicidade. Viajei anos luz quando vi aquela turma maravilhosa que fez e faz o nosso bairro eternizado, nosso Codozinho, Rua Euclides da Cunha, nossa rua branca. muito bom, domingo agora vai ter uma baita feijoada regada a velhas e gostosas lembranças, vais lá, não vais? Abraços.

28 de fevereiro de 2012 05:32

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Caros amigos Preto Cunha e Chiquinho Baía,
Este ano eu perdi o encontro com os amigos do Codozinho. Todas essas pessoas citadas por vocês são amigos muito queridos que eu adoraria encontrar. Mando um abraço grande para todos e agradeço-lhes por tomarem de mim a Página do LF, colocando-a a trabalho exclusivamente do Codozinho, ou de um Codozinho, uma vez que o Codozinho aqui falado não é exatamente o Codozinho que encontramos hoje quando vamos à Rua Euclides da Cunha. Estou feliz com tudo isso.
Quanto à reunião, marque a data e avise-me por favor. Me farei presente se Deus quiser.